A PcComponentes está em Portugal, com domínio português desde finais de 2016. A empresa de venda online de produtos tecnológicos tem visto o seu sucesso aumentar. Numa entrevista a Alexandre Santos, Country Manager na PcComponentes para Portugal ficámos a conhecer melhor este ecommerce, as suas origens, a sua relação com o mercado entre muitas outras coisas da altura do ano mais relevante para o comércio online.

Ecommerce News (EcN): A PcComponentes é um dos maiores players de Espanha (+360 milhões de euros), competindo com a Amazon. Qual é o objetivo em PT e quando é que chegaram ao nosso país?

Alexandre Santos (AS): O domínio .pt foi criado no segundo semestre de 2016. Anteriormente já existia negócio em Portugal através domínio espanhol e muito assente em clientes profissionais. Com a criação de uma equipa em Portugal, começámos a conhecer melhor o mercado e a aproximar-nos do cliente final. O nosso objetivo é um compromisso a longo prazo, e assumirmo-nos como um ecommerce de referência nas áreas que atuamos, como seja na informática, componentes, smartphones e tudo o que está ligado à tecnologia.

Ecommerce News (EcN): Que volume de negócios têm agora em Portugal? Organizar melhor

Alexandre Santos (AS): Para além do volume de negócios, um dos indicadores mais importantes para nós é o número de pedidos. O crescimento deste indicador está diretamente relacionado com o crescimento do número de clientes, e este sim é um índice claro de sucesso e penetração no mercado. Em número de pedidos absolutos, em 2018 crescemos mais de 170%. Em relação ao ano atual estamos a manter boas taxas de crescimento.

Ecommerce News (EcN): Qual é o ticket médio que têm por compra?

Alexandre Santos (AS): A cesta média hoje é completamente diferente da de 2016 ou mesmo de 2017, onde o cliente de revenda tinha uma grande predominância. Atualmente o ticket médio global está entre os 230 e os 250 euros. Ainda sobre a cesta média, se pensarmos que vínhamos de um valor a rondar os 400 euros, hoje estamos muito mais próximo do nosso objectivo que é chegar ao cliente final.

EcN: Formas de pagamento. Sabemos que é fundamental na sua experiência em Espanha. Como funciona em PT? Sente falta de mais opções?

AS: A primeira forma de pagamento adaptada especificamente ao cliente português foi a criação de uma conta bancária portuguesa para poderem fazer os seus pagamentos por transferência bancaria.

 A nossa percepção actual pode não refletir a realidade do mercado português. Ao estarmos presentes há pouco tempo em Portugal, com o foco de chegar ao cliente final, a confiança ainda não está estabelecida. O que leva a que as primeiras compras sejam feitas com o método de pagamaento por contra-reembolso. Como temos uma taxa de crescimento de clientes novos grande, existe uma, também grande, predominância nesta forma de pagamento. Após a boa experiência de compra, a confiança estebelece-se e esses clientes já optam pelas formas de pagamento comuns como o cartão de crédito, a transferência bancária ou o recemente adicionado Google Pay.

O consumidor digital português “prefere” as formas de pagamento comuns, mas exclusivas do nosso país, como sejam, a ref multibanco ou o Mbway, que estamos em fase de implementação. Outra forma de pagamento, que neste caso é comum a Espanha, é o financiamento, que está em fase de desenvolvimento.

EcN: A nível logístico, que opções oferecem ao utilizador? Como pode a experiência do utilizador ser melhorada neste sentido?

AS: Temos uma taxa de entrega de pedidos em 24 horas úteis, superior a 80%. A experiência de compra portuguesa, em lojas puramente online, não chega perto destes indicadores, este é claramente um diferencial positivo em relação à nossa concorrência. Ainda sobre logística, temos planeado aumentar a oferta de transportadores dando ao cliente a oportunidade de escolher aquele que melhor se adequa à zona geográfica. Poderá dar-se o caso de algumas delas terem pontos de recolha mais próximos da morada de entrega e inclusive com horários alargados.

EcN: Em Espanha têm lojas físicas. Existe essa possibilidade?

AS: Para Portugal o plano de crescimento não passa por lojas físicas a curto prazo. O nosso foco está centrado na melhoria do serviço de atenção ao cliente, melhorar a qualidade e rapidez logística.

EcN: Qual a taxa de conversão com que lidam? Que técnicas têm para fazê-la crescer?

AS: Essa é uma questão muito particular porque cada canal tem uma taxa distinta. Atualmente a nossa taxa de conversão global ronda 1,4% e é consequência de uma mescla de vários canais. Dentro da equipa portuguesa temos pessoas dedicadas a trabalhar cada canal. Ao longo do tempo fomos percebendo, adaptando e melhorando a nossa posição, conseguindo tirar o melhor partido de cada um.

EcN: A Sexta-Feira Negra e a campanha de Natal estão a chegar. Pode dizer-nos o que vai fazer para estas datas?

AS: Esta vai ser a quarta Black Friday da PcComponentes em Portugal e estamos a crescer de ano para ano.  A primeira Black Friday foi o primeiro pico de vendas do domino .pt e desde aí tem sido uma aprendizagem. Para alem da Black Friday temos outras campanhas internas ao longo do ano que têm vindo a ganhar “importância” dentro da empresa e no mercado, como é o caso dos PcDays que se estão a tornar uma Black Friday de Verão.

Este ano temos uma Black Week “à PcComponentes”, uma campanha forte em preço, com mais de 2000 artigos em oferta e descontos até 70%, como os nossos clientes estão habituados. Além disso, este ano contamos com a participação especial de um desenhista da Marvel, para desenvolver a nossa campanha. Por isso, podem perceber que os conteúdos vão ser diferenciados, como nunca fizemos antes.

A Black Friday é o arranque para as compras de natal e não tenho dúvidas que vai ser uma Black Friday única, principalmente porque é uma campanha que nos ajuda a estabelecer uma confiança com os nossos clientes, pois estes percebem que trabalhamos com transparência e dedicação.

EcN: Do ponto de vista do marketing, em que canais conta promover essas campanhas? Quais funcionam melhor?

AS: Nós trabalhamos todos os canais tradicionais on e off. Este ano apostamos em SEO, SEM e RRSS, e pela primeira vez temos uma campanha de rádio para divulgar a Black Friday. Como já disse anteriormente, a equipa de Portugal está em constante aprendizagem e à procura de novos canais para comunicar com o nosso público.

EcN: Em Espanha, as redes sociais são muito importantes na sua estratégia. Como é que a aborda em Portugal? Quais são as diferenças?

É claro que as redes sociais têm objetivos distintos por país, porque a estratégia de comunicação e objectivos também são distintos. Cada canal tem a sua especificidade. As nossas redes sociais são planeadas e programadas para terem sempre conteúdos balanceados, trabalhamos muito com o Facebook e o Instagram, mas procuramos diferenciar-nos, sempre que possível. Fazemos publicações diárias de conteúdos, com diversos objetivos, mas sempre a procura de uma maior proximidade com o utilizador.

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