A REDUNIQ, rede de aceitação de cartões nacional, acaba de divulgar novos dados do REDUNIQ Insights sobre as principais tendências na evolução das transações durante as primeiras duas semanas que marcaram a primeira fase do plano de desconfinamento em Portugal. De uma forma geral, o número de transações e o valor de faturação mantiveram-se da primeira para a segunda semana de maio, e a nível distrital a atividade transacional na primeira semana de desconfinamento correspondeu a valores entre os 70 e os 80% daquilo que foi observado no início de março.

De acordo com o documento, o grande destaque vai para os pagamentos via contactless, que continuam a crescer em número de transações, tendo já ultrapassado em 64% o volume registado na semana de 15 a 21 de março (período em que se estabeleceu o Estado de Emergência). Enquanto que na semana anterior ao confinamento obrigatório este método de pagamento representava um peso de 13,30% no total da faturação, na semana passada essa percentagem atingiu os 22,26%.


Para Tiago Oom, Diretor da REDUNIQ, “o aumento histórico do volume de transações efetuadas através da tecnologia contactless vem comprovar a crescente generalização da utilização deste método de pagamento pela população portuguesa, que agora reconhece as suas vantagens ao nível da rapidez, facilidade e segurança no processo de pagamento. Será certamente uma das tendências pós Covid-19”.

Esta evolução, acrescenta, “justifica-se sobretudo pela reabertura de cerca de 10 mil negócios a partir de 4 de maio, com a faturação das lojas físicas a aumentar 8,41% entre a semana de 26 de abril a 2 de maio e a semana de 3 a 9 maio, e com a estagnação desse crescimento na semana seguinte (de 10 a 16 de maio)”.

Em relação à análise dos setores de atividades na primeira semana de desconfinamento, e após a divulgação do crescimento da faturação face à última semana de abril de atividades como os cabeleireiros (mais 1039%), as papelarias, livrarias e tabacarias (mais 84%), os serviços do Estado (mais 64%), e as gasolineiras (mais 14%), o segundo relatório do REDUNIQ Insights revela agora que o setor da moda aumentou a sua faturação em 270% na semana de 3 a 9 de maio, uma evolução que reflete a reabertura de cerca de 2.700 pontos de venda (mais 243% que na semana anterior).

Com a mesma tendência de crescimento encontra-se a área das perfumarias, que alcançou mais 525% de faturação na primeira semana de desconfinamento, na qual abriram mais 150% lojas. Outro dado relevante para este setor foi o aumento do ticket médio, que subiu de 28,86€ para 39,61€ da última semana de abril para a primeira semana de maio. Ainda na primeira semana de desconfinamento, as retrosarias (que comercializam tecidos para a produção de máscaras), registaram mais 305% de faturação e mais 174% de aberturas de pontos de venda, e que representa já 99% de faturação (uma recuperação quase total do setor), se comprarmos a semana antes do Estado de Emergência. 

Já quando analisada a evolução das transações da primeira semana de desconfinamento (3 a 9 de maio) para a segunda (10-16 maio), outras áreas demonstram também uma tendência de crescimento, como é um caso da categoria de eletrodomésticos e tecnologia a manter o número de transações e o valor de faturação acima do que foi registado no período anterior ao Estado de Emergência (mais 43% de faturação do que na semana de 15 a 21 de março). A crescer estiveram as livrarias, com mais 38% de faturação, e a área da saúde, com um crescimento de faturação na ordem dos 27% entre as duas semanas.

Com uma tendência contrária estão as farmácias, que reduziram a sua faturação em 3% em relação à primeira semana de maio, o primeiro decréscimo no setor desde a semana de 22 a 28 de março. A estas junta-se o retalho alimentar, que, mesmo com os hipermercados e supermercados a apresentaram em abril crescimentos de faturação face ao mês anterior, acabou por chegar ao início de maio com um valor de faturação abaixo do ponto de partida, ou seja, menos 50% do que o valor registado no arranque do mês de março.

“Acredito que parte desta tendência de quebra no valor de faturação do retalho alimentar está assente num conjunto de fenómenos, nomeadamente numa menor necessidade dos portugueses em comprar, uma vez que já se haviam abastecido de forma estrutural no fim de março e durante o mês de abril, e em novos comportamentos de poupança por parte de amplos segmentos da sociedade, que já estão a sentir o impacto da crise nos seus rendimentos”, explica Tiago Oom.

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