Mesmo na adversidade os portugueses não baixam os braços e da Fixando à Fixando+24 temos mais um exemplo da grande capacidade de adaptação do nosso país e da sua força de vontade. Tivemos a oportunidade de falar com o Miguel Mascarenhas, Co-Founder da Fixando, que nos falou da Fixando, da situação do ecommerce nacional antes da pandemia do coronavírus, como se estão a adaptar e por fim deixa-nos as suas palavras de esperança para 2020.

Ecommerce News Portugal (EcN): Como é que chegou à Fixando? 


Miguel Mascarenhas: A grande motivação de lançarmos a Fixando foi o facto de vermos que um prestador de serviços é algo que não é tão fácil de encontrar como outros projetos como o OLX ou o Stand Virtual, em que sabemos se queremos comprar um bem usado, existem plataformas em que se podem comprar e vender. Nos serviços, quanto muito, existiam as Páginas Amarelas, um método altamente desatualizado e impresso uma vez por ano e mesmo em pesquisas no google, existe uma grande quantidade de resultados em que é difícil saber receberemos resposta e se é um bom profissional. E a motivação foi essa lacuna no mercado, que nos fez também pensar, este é o momento certo para começarmos a usar também o nosso “know how” para lançar uma plataforma que possa ajudar a colmatar esse gap no mercado. 

Ecommerce News Portugal: Quando é que começou a Fixando? Em Portugal só?

Miguel Mascarenhas: A Fixando foi lançada em início de 2017. E sim, a plataforma em si pode ser lançada em vários países, foi preparada para o efeito, e está presente em cerca de 12 países de momento, mas temos o grande foco em Portugal e Espanha e depois outross países como por exemplo Alemanha, Áustria, Suíça, México, Chile, República Dominicana…

Ecommerce News Portugal: No caso da Península Ibérica, pelo que eu percebi, os portugueses podem candidatar-se a Espanha e os espanhóis a Portugal…

Miguel Mascarenhas: Sim, exatamente! Algo que nós vimos é que por vezes, no setor da prestação de serviços há mais procura do que oferta, ou mais oferta do que procura em alguns serviços, mas por vezes também pode acontecer por causa da sazonalidade. Se juntarmos os mercados Portugal e Espanha, principalmente todos os distritos ou cidades que estejam mais perto da fronteira, podem beneficiar do fato de estarmos a juntar os países. E também porque em termos culturais e de idioma somos dois países parecidos e em termos geográficas algumas cidades portuguesas e espanholas estão mais próximas do que cidades dos respetivos países.

Ecommerce News Portugal: Podemos dizer que criaram um Uber dos serviços? 

Miguel Mascarenhas: Sim, de certa forma podemos. Se virmos o transporte de pessoas até podia ser um serviço da própria Fixando, podia ser uma das subcategorias, no entanto, uma grande diferença é o fato da Fixando ter cerca de mil categorias e que estão divididas em categorias principais como a casa, e estes têm cerca de 200 a 300 subcategorias. Mas depois também temos os eventos, as aulas, o bem-estar, entre muitas outras categorias. É por isso, mais abrangente do que só um aspeto. No entanto, a facilidade, sim, é muito parecido ao Uber dos serviços.

Ecommerce News Portugal: Qual foi o volume de negócios em 2019?

Miguel Mascarenhas: Aquilo que eu respondo sempre, mesmo quando estava a lançar o OLX e o Stand Virtual, a receita que nós temos nos primeiros anos é quase irrelevante versus o potencial de crescimento por isso aquilo que é importante para uma start-up e qualquer start-up é o volume de crescimento ano versus ano e  aí crescemos 200%. No entanto, se virmos a receita que tivemos em 2019, não é suficientemente apelativa de ser divulgada, no entanto sabemos que o potencial é grande e é mais nesse sentido que nos estamos a focar.

Ecommerce News Portugal: Qual é a maior dificuldade na Fixando?

Miguel Mascarenhas: De certa forma, é o facto dos profissionais não estarem todos habituados a plataformas como a Fixando e não compreendem as vantagens também para eles, por exemplo, a poupança de tempo, cada categoria tem perguntas e respostas específicas dessa categoria o que faz com que o profissional possa poupar bastante tempo. Pode chegar no início da manhã ou no final do dia e ver todos os pedidos que chegaram e vê aqueles que podem ser mais interessantes e os quais conseguirá responder. Clic para tuitear De outra forma, teria que atender telefonemas, responder a emails, a fazer essas perguntas ao próprio. E de certa forma para o utilizador ajuda a que saibam responder a perguntas que que qualquer serviço lhe irá fazer. Por exemplo, na organização de um evento…quantas pessoas é que contam ter no evento? Se calhar nem temos essa consciência mas entre 20 e 40 o orçamento muda bastante, ou… que área é que quer para o evento? São cem metros quadrados ou mil metros quadrados? Quer uma área exterior ou interior? Estas são algumas perguntas que alguém que não organize eventos não tem noção.  Há muitas perguntas que alguém que não recorra a esses serviços de forma tão frequente não tem essa experiência para fazer o pedido inicial, o que faz com que o profissional também não vá responder de forma tão eficiente. E trazer essa vantagem para o mercado é talvez a nossa maior dificuldade.

Ecommerce News Portugal: Entre profissionais e cliente foram mais recebidos com desconfiança ou as pessoas vão aderindo facilmente a este conceito?

Miguel Mascarenhas: A partir do momento em que descobrem, vão aderindo porque compreendem. No momento em que são feitas perguntas inteligentes, ou tocamos em pontos que ainda não tinham pensado, criamos confiança. E o facto dos profissionais verem pedidos em que os utilizadores já responderam a essas perguntas dá alguma confiança.

Ecommerce News Portugal: Ao nível de marketing, qual é a vossa estratégia para atrair os clientes?

Miguel Mascarenhas: Principalmente o marketing online. Os motores de pesquisa, as redes sociais, também fizemos alguma televisão no ano de 2018 e alguns outdoors.

Ecommerce News Portugal: Redes sociais é algo que investem? Em termos de contacto, de criar um engagement com o cliente ou com o profissional? 

Miguel Mascarenhas: Sim, depende das categorias. Por vezes também conseguimos atrair profissionais pelo Facebook e também usar muito a sazonalidade para despertar também o interesse pela plataforma.

Ecommerce News Portugal: O que é que os clientes mais procuram na vossa plataforma?

Miguel Mascarenhas: Em termos de categoria final foi “hotel para cães” em 2019. Se virmos por categorias principais, há-de ser a categoria de “casa” e inclui coisas como o certificado energético de edifícios ou pinturas, trabalhos ou obras em casa.

Ecommerce News Portugal: E em relação aos métodos de pagamento, é algo que passa pela vossa plataforma ou isso é depois com o profissional em si?

Miguel Mascarenhas: O profissional paga um valor para responder ao pedido do cliente. O facto do profissional também ter de pagar para responder ao cliente faz com que a probabilidade desse profissional querer de facto efetuar esse serviço seja muito superior, o que trás também qualidade à plataforma. No entanto, a transação em si será depois combinada entre o profissional e o cliente.

Ecommerce News Portugal: Em que ponto é que se encontrava o comércio eletrónico em Portugal antes desta situação? 

Miguel Mascarenhas: O comércio eletrónico é muito mais na compra e venda de bens, que nesse sentido penso que ainda estava um pouco atrás comparando com outros países. No que diz respeito aos aparelhos móveis até são bastante usados. No entanto, as apps em si, não. Não há esse hábito. Também notamos que em Portugal há mais utilização do acesso à internet por WiFi, enquanto por exemplo, noutros países como Espanha, a utilização de uma rede 4G ou 3G é superior. Nesse sentido, penso que o custo de acesso à internet móvel em Portugal ainda é bastante cara ou então existem pacotes que discriminam start-ups portuguesas ou negócios mais pequenos que não estão incluídos nos planos de pacotes. Algumas operadoras oferecem planos de internet gratuitos para as redes sociais ou para os serviços de streaming, que faz com que as pessoas usem só esse tipo de apps e não estejam se calhar tão abertas e interessadas em explorar novos tipos de negócios e isso de certa forma temos visto como um entrave. 

Ecommerce News Portugal: Também têm uma app? Oferecem algum serviço diferenciador em relação ao website?

Miguel Mascarenhas: Sim, temos e até ganhámos o prémio de Inovação da ACEPI é podermos tirar uma foto a qualquer coisa (literalmente), pode ser um bem, e com isso sugerimos qual é que é a categoria em que se enquadra o bem. Portanto, podemos tirar uma foto ao animal e provavelmente vamos sugerir qual é que é o hotel para cães. Ou podemos tirar uma foto a um sofá e vamos sugerir o estofador ou montagem de móveis. Isso é uma funcionalidade única que só está disponível na app. Para além disso, temos a parte para os profissionais das notificações e das mensagens que está um pouco mais desenvolvida na app.

Ecommerce News Portugal: O mercado espanhol e o mercado português em relação à Fixando divergem? Há uma maior adesão em Espanha ou em Portugal?

Miguel Mascarenhas: Quando lançámos a Fixando, investimos desde início, de forma mais focada em termos de marketing em Portugal, o que fez com que também os resultados sejam superiores em Portugal versus Espanha. No entanto, para já, os primeiros dados que temos desde que lançámos de forma mais focada em Espanha também são bastante promissores.

Ecommerce News Portugal: Como é que a pandemia vos está a afectar?

Miguel Mascarenhas: O impacto da pandemia nos negócios dos nossos profissionais foi (e ainda é, em alguns casos), muito grande. Sentimos uma quebra na procura e muitos viram os seus serviços a serem adiados ou mesmo cancelados. Perante esta conjuntura sentimos a necessidade de encontrar uma solução viável e por isso lançamos a Fixando+24: uma forma dos portugueses poderem solicitar e usufruir de serviços à distância e de assegurar a continuidade dos negócios dos nossos profissionais.

Ecommerce News Portugal: Como foram alterados os planos para 2020?

Miguel Mascarenhas: A pandemia alterou os nossos planos na medida em que nos levou a procurar rapidamente soluções para uma nova realidade que nos foi imposta de um momento para o outro. No dia em que o Estado de Emergência foi declarado percebemos que tínhamos que agir rapidamente para conseguirmos responder às necessidades dos nossos profissionais, para que estes pudessem continuar a prestar serviços de uma forma segura mas também para que as famílias portuguesas pudessem continuar a contratar serviços sem se sentirem em risco. Dois meses depois da pandemia ter sido declarada, temos a Fixando+24, uma forma de contratar e prestar serviços remotamente, categorias de serviços exclusivamente online, um calendário disponível no perfil dos profissionais para que estes possam partilhar as horas em que estão disponíveis e ainda um selo de confiança para todos os profissionais que declaram cumprir as normas de segurança e higiene necessárias para se manterem a si e aos outros seguros.

Ecommerce News Portugal: Quais são as palavras de esperança para o futuro?

Miguel Mascarenhas: Toda esta situação fez com que muitos portugueses se adaptassem ao teletrabalho e se familiarizassem com o digital. Esta nova realidade dá-nos uma oportunidade para repensar a forma como interagimos e fazemos negócios no dia-a-dia. Existem inúmeros serviços que sempre puderam ser prestados à distância mas onde só agora os profissionais começam a considerar essa possibilidade, o mesmo se passa com quem procura esses serviços: há três meses a maior parte de nós não consideraria, por exemplo, ter uma sessão de Personal Trainning através de uma plataforma online, hoje, é o novo normal. A familiarização com o digital abriu espaço para fazer negócios nos quatro cantos do mundo, sem sair de casa, e para encontrar serviços exactamente da mesma forma.

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