Na passada sexta-feira dia 8 de novembro, os CTT celebraram o ecommerce com a 4ª edição do E-commerce Day, um evento onde é apresentado Ecommerce Report CTT do respetivo ano e ocorre um debate de ideias sobre o estado do ecommerce entre representantes de algumas marcas.

O primeiro painel do dia incluiu o antigo CMO da Prozis, Rui Cunha, que considera o e-commerce e o marketing digital uma vantagem grande, principalmente para as pequenas e medias empresas, porque têm ferramentas disponíveis sem pagar, “o marketing digital é a forma mais fácil de gerar valor para as vossas empresas. Em 2023 é previsto que o e-commerce represente 6 biliões de vendas” disse o keynote speaker.

O maior dos desafios será a concorrência. A competição é por visibilidade e se o comerciante português demorar muito a entrar no mercado de ecommerce vai existir muita concorrência quando quiser ganhar o seu ‘market share’. Mas para o orador, nós portugueses, ainda vamos a tempo, mas os desafios são cada vez mais, entre eles encontrar recursos humanos qualificados e gerir o ‘advertising blindness’. Rui Cunha terminou com 4 dicas para gerir a ‘cegueira publicitária’:

  1. Comunicação personalizada: quanto mais personalizada maior a conversão
  2. Ser os primeiros a usar as novas tendências: TikTok, Nano influencers, voice search, AR e VR, Chatbots, entre outros
  3. Live shopping: Influenciadores ou funcionários filmam a compra ao vivo. É uma tendência que está a vir da China, impulsionada pela Taobao.
  4. Mentalidade de cientista de marketing: constante exploração das ferramentas e das suas possibilidades.

Seguiu-se Miguel Pina Martins, CEO da Science4you, uma empresa que produz, desenvolve e comercializa brinquedos científicos e educativos, mostrou o ponto de vista de uma empresa que começou pequena e deixa os seus conselhos para não se deixarem ser engolidos pelo mercado como referiu anteriormente Rui Cunha. “O nosso maior ponto de venda são os Marketplace, a plataforma da Amazon, também trabalhamos com outros, Aliexpress por exemplo, mas a Amazon é a nossa grande” disse. Os brinquedos são de PVP (Preço de Venda ao Público) baixo, mas são produtos volumosos o que para uma startup cria problemas de logística principalmente para o estrangeiro, com isto “achamos que não conseguimos competir com a Amazon. É muito difícil para o retalho competir com a Amazon cujo objetivo é mais do que ganhar dinheiro, é ter mais vendas”, reforçou o CEO. Se não os podes vencer, junta-te a eles e foi isso que a Science4you fez ao juntar-se a Amazon e a outros grandes marketplaces. Beneficiaram da facilidade de processos de venda e logística, mas também ficaram a perder, “maior desvantagem é a falta de dados, não conseguimos analisar os dados e fazer um remarketing” afirma Miguel.

Olga Frazão, Europe Head of Retail na Staples, trouxe a proposta de disrupção para as marcas, ir além do cliente,o customer centricity já não é o suficiente, temos que nos focar nas pessoas” disse. A oradora partilhou o caso da Staples em particular para explicar a sua proposta. A Europa é um mosaico de cultura com diferentes expetativas e desejos e torna-se mais fácil convergir num ecommerce que numa loja física, mas para isso os canais têm que estar todos sintonizados porque o cliente quer comprar num sítio, levantar noutro e pagar de outra forma. O propósito tem que ser sempre proporcionar a melhor experiência. E aqui aparece uma palavra chave UNIFICAR. Na Staples perceberam que a transformação digital implicava várias melhorias, a nível de compreensão do cliente, da experiência mobile, produzir e divulgar conteúdo & insights em tempo útil, a nível da IA & personalização, de imagens e de foco na unificação.

Os dois casos finais, Quem disse, Berenice’ e 360 imprimir expuseram as suas principais dificuldades na altura da internacionalização, o primeiro com a entrada em Portugal e o segundo com a expansão para o estrangeiro.

Quem disse, Berenice? é uma marca de maquilhagem do grupo Boticário que nasceu no Brasil em 2012 com o propósito de questionar as regras. No país de origem já tem mais de 300 lojas, mas quando entraram em Portugal não tiveram o mesmo sucesso. Foram obrigados a repensar estratégias e perceber a razão pela qual funcionava tão bem no Brasil e tão mal em Portugal. A conclusão a que chegaram é que a mulher portuguesa é diferente da brasileira, enquanto a brasileira compra por impulso a portuguesa precisa de saber o benefício. Depois de repensarem e estudarem toda a cadeia desde o comportamento do consumidor, ao website, às formas de pagamento entre muitas outras coisas chegaram ao que Rossana Gama, Responsável da Marca chamou de “estratégia vencedora, já posta em prática este ano e com resultados bons. A estratégia vencedora incluí trazer à cliente a sensação de exclusividade, fazer uma boa campanha que lhe traz confiança e ter um website interativo, rico em informação sobre o produto.

O último membro do painel a falar foi Sérgio Vieira, co-founder e CEO da 360 imprimir. A 360 imprimir é um projeto recente que vende produtos de impressão, produtos promocionais, têxteis, sacos de papel, packging seguro para alimentos e bebidas e passaram de 1000 produtos iniciais para 20.000. No último ano chegaram a 21 países e “queremos ser a Amazon dos produtos e serviços de marketing, permitir que os clientes pequenos tenham acesso ao que os grandes clientes já têm acesso” disse Sérgio Vieira. O digital facilita a internacionalização, para a marca a expansão para o vizinho foi fácil. Pelo contrário a entrada no Brasil foi um passo maior e mais difícil, e o CEO da 360 imprimir deixou-nos o que considera ser os desafios da internacionalização:

  1. Recursos humanos: pessoas nativas que percebam do mercado
  2. ‘Localization’: garantir conteúdos adaptados ao mercado
  3. Distribuição: funciona muito bem na península ibérica, mas muito mal para a europa
  4. Sistemas de pagamento: Disponibilizar os tipos de pagamentos ao que cada país utiliza mais e tem mais confiança
  5. Burocracias

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