Mulheres na Liderança do comércio eletrónico em Portugal (parte 6)

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Ontem, Bárbara São Martinho contou-nos a sua experiência no mercado de trabalho enquanto Mulher. Trazemos o último testemunho da semana e seguramente não menos importante, a embaixadora da Ecommerce News Portugal e também Online & E-comerce Director na Moviflor Portugal, Vanessa Arlandis.

Vanessa Arlandis, Online & E-commerce Director na Moviflor Portugal

Já passaste por alguma situação na qual acredita que por ser mulher foi tratada com alguma diferença?

Já, acho que quase todas em algum momento da vida passamos por isso. Mais nos inícios de carreira (e não por ser propriamente novata no mercado). É verdade que nos dias de hoje, depois de um percurso feito e de provas dadas, isso não acontece em nenhum projeto no qual estou envolvida. Também não o permitiria, a confiança que obtive com a minha experiência permitiu-me encarar as coisas com outra atitude. Penso, também, que muitas vezes isso acontece porque assume-se que é assim, embora cada vez menos, uma vez que durante muitos anos os cargos de liderança eram maioritariamente ocupados por homens. Felizmente as coisas estão a mudar embora considero que essa mudança advém de uma persistência e resiliência por parte das mulheres. Ocupamos esses cargos hoje em dia mas inevitavelmente tivemos que demonstrar mais, tivemos que dar mais de nós, tivemos que nos equilibrar nas várias frentes e funções que temos enquanto mulheres, tivemos que dar provas que também eramos capazes.

O que podes fazer, como mulher e jovem profissional, para mudar tais situações?

A atitude, tal como referi acima, é o primeiro passo. Infelizmente muitas vezes só temos atitude quando ganhamos confiança no nosso percurso. Até lá é ir construindo o caminho, demonstrar que se é capaz e encarar as coisas tal como o homem o faria. Nós mulheres somos mais emocionais, envolvemo-nos mais com a cultura empresarial, somos mais empáticas. Os homens provavelmente são mais comercias, gestores de negócio, têm uma atitude mais agressiva perante o negócio. É muito provável que uma mulher, por exemplo, aguarde por ser reconhecida e, ser reconhecida muitas vezes não implica uma ascensão na função ou no salário mas sim uma confiança na atribuição de responsabilidades, por exemplo. Enquanto um homem não espera por esse reconhecimento. Não só negoceia os seus ajustes salariais como ainda é capaz de perguntar o porquê de não ter uma função de liderança. É essa confiança que por vezes pode faltar nas mulheres. É claro que existem as suas exceções, e cada vez mais, mas é o que tenho percecionado por parte do mercado.

O que é para ti descriminação no trabalho?

Não ter um tratamento igual por parte do empregador. O direito à igualdade de oportunidades e de tratamento. Que todas as vozes sejam ouvidas, que todos tenham direito à igualdade de condições. Que todos possam aceder às mesmas oportunidades. Lembro-me de há uns anos ir a uma entrevista, por exemplo, e me terem questionado se eu estava a pensar em ter filhos (porque tinha 30 anos e provavelmente andava a pensar nisso). A preocupação dessa entidade era como é que eu me iria dedicar à empresa caso engravidasse nos próximos anos. Como este exemplo tenho vários. Vi pessoas válidas a não darem continuidade nos seus processos de recrutamento só porque “é mãe e divorciada, vai faltar muito ao trabalho”.

Como vês o ambiente de trabalho para a mulher nos dias de hoje?

Felizmente as coisas estão a mudar mas ainda há um percurso longo por fazer. Custa-me neste momento ter bem noção do quão evoluímos a esse respeito, felizmente não estou envolvida nem em empresas nem em projetos nos quais não se valorize a mulher. Muito pelo contrário, tenho a felicidade de estar integrada em projetos onde a mulher é bastante valorizada. Mas é verdade que vejo, mesmo no meu círculo de amizades onde convivo com bastantes mulheres líderes e empreendedoras, que todas têm em comum a questão de se esforçarem mais, darem mais e demonstrarem mais. Acho que faz parte da nossa natureza, somos inatamente mais dedicadas.

Como te sentes em estar numa posição de poder?

Sinto-me exatamente como se fosse um homem.. mas é verdade que eu costumo dizer que tenho uma personalidade muito masculina =) Eu sou muito dedicada e acho que, independentemente de ser mulher ou homem, há determinadas skills que devem acompanhar uma pessoa que ocupe uma posição de liderança. Fazer do negócio como se fosse nosso. Aliás foi essa frase que me convenceu quando aceitei integrar na empresa onde estou: “A Vanessa olhe para isto como se fosse o seu negócio”.
O percurso até chegar aqui é que não foi fácil, foi um caminho a trilhar e de muita demonstração perante o mercado. Tenho a sorte de pertencer a uma empresa que se preocupa com a paridade e que a sua única premissa é se a pessoa é válida ou não para aquele cargo.

Qual a percentagem de mulheres no seu local de trabalho? Na empresa em que trabalha se sente um equilíbrio entre os géneros ou não?

Sou grata por trabalhar numa empresa onde a maioria dos cargos de chefia são mulheres (acho que tem muito a ver com o sector onde operamos). Foi uma realidade e um crescimento que fui vendo ao longo dos anos. Lembro-me de chegar e sermos muito poucas mulheres num cargo de liderança. Era uma empresa onde a maioria desses cargos eram ocupados por homens e que aos poucos passou para mulheres. Mas foi algo orgânico, natural. Não foi por não terem dado essa oportunidade (aliás eu entrei diretamente para um cargo de liderança) mas sim pela opção do melhor candidato para aquela função. Em termos de percentagem estamos com 42% de mulheres na empresa face a 58% de homens, o que demonstra este equilíbrio e preocupação por parte da entidade na igualdade de géneros.

Conheces outras mulheres em lugares de poder no Ecommerce?

Conheço, cada vez somos mais, e todas elas inspiradoras. É verdade que cá em Portugal é uma profissão “nova”. Mas onde sinto mesmo a diferença é no cargo intermédio, o de manager. Cada vez existem mais mulheres com a função ecommerce manager que depois naturalmente ascendem. Por um lado é super positivo, significa que há mais mulheres a um passo da liderança, por outro lado demonstra que na hora de decidir os cargos de direção ainda não são para elas (embora muitas já ocupemos esses cargos). Ainda assim, felizmente, existem muitos casos de liderança no feminino e a tendência será cada vez mais.

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