Portugal ocupa a 32ª posição no Novo Índice Global de Inteligência Digital, realizado em parceria entre a Mastercard e a Fletcher School, da Tufts University, que demonstra o estado e ritmo de desenvolvimento digital de 90 economias em todo o mundo.

No que respeita ao desenvolvimento digital global, a posição de Portugal no ranking fica atrás de países como Espanha, que ocupa o 30º lugar,  Eslovénia (29º) e Lituânia (28º), e à frente da Itália (40º) e da Grécia (44º).  No top 10 das economias de maior desenvolvimento digital estão Singapura, Estados Unidos, Hong Kong, Finlândia, Dinamarca, Suíça, Holanda, Noruega, Suécia e Islândia


Quando analisados os mecanismos que garantem segurança, privacidade e prestação de contas associadas ao ecossistema, Portugal surge numa cimeira 13ª posição, acima de países como os Estado Unidos, Austrália ou Japão. Entre os países que encabeçam esta lista estão a Dinamarca, seguida da Suíça, Suécia, Holanda e Áustria 

Também no que se refere à experiência associada a quaisquer fricções no acesso, com infraestruturas ou interações, Portugal também se destaca no 20º lugar, à frente da França (21º), Áustria (23º), Espanha (26ª), Itália (28ª) e Irlanda (29ª). Já nas atitudes de confiança nas instituições, Portugal volta a subir 5 posições para 15º lugar, à frente de países como a Irlanda (17º) ou Reino Unido (26º).

Construído a partir das edições de 2014 e 2017, o Índice deste ano traça um retrato da situação actual e ritmo de desenvolvimento digital global e apresenta uma análise aprofundada dos fatores-chave que definem o ritmo de desenvolvimento  digital que impulsionam a mudança, bem como os seus impactos nas economias que enfrentam os desafios da pandemia global e respectivo futuro.

Apesar de bons resultados do país num conjunto alargado de domínios, Portugal apresenta o 82º lugar em 90 posições no ritmo de ritmo de digitalização, fazendo o país situar-se no quadrante de países  que desfrutam de um alto estado de avanço digital, apesar de exibirem um ritmo de desenvolvimento relativamente mais lento. Ultrapassar estes patamares digitais exigirá um esforço consciente destas economias para se reinventarem, mas também uma aposta em tecnologia digital emergente na qual tenham liderança ou a  eliminação dos obstáculos à inovação. 

Economias digitais mais dinâmicas – como a de os Estados Unidos, da Coreia do Sul, de Taiwan, dos Emirados Árabes Unidos e da Alemanha – conseguiram superar de forma significativa a taxa de crescimento da OCDE no segundo trimestre de 2020, mesmo tendo em consideração o confinamento global. Estes países têm um elevado número de talentos disponíveis, parcerias ativas ao nível de I&D entre empresas e a academia e um histórico muito forte na criação e adoção de produtos digitais pelo mercado.

Por exemplo, a nível de inovação o top 3 é integrado pela Singapura, Hong Kong e Estados Unidos, Já a Irlanda surge num destacado 4º lugar, a Holanda em 9º e Suécia em 11º, acima da Alemanha (13º). De referir que da lista que traça os esforços dos governos em tomar medidas que potenciam a  digitalização, Portugal sobe para 25º, acima de  Espanha (34º), por exemplo.

Bhaskar Chakravorti, Dean da Global Business na The Fletcher School, afirma que «a pandemia pode ser o teste mais claro ao desenvolvimento global rumo à digitalização». Temos, agora, uma visão mais abrangente sobre como economias digitais dinâmicas têm maior resiliência e estão mais bem posicionadas para recuperarem durante este período de turbulência global sem precedentes”.

Com quase dois terços da população mundial com acesso à internet, estamos a entrar numa fase «pós-acesso», em que o importante é considerar a qualidade do acesso, a utilização eficaz das tecnologias digitais, as instituições responsáveis, as políticas na governação dos dados e a promoção da confiança como os fatores mais importantes na determinação da competitividade digital e da sustentabilidade. Com esse conhecimento, as empresas e os governos podem trabalhar em conjunto para ajudar os 7,6 mil milhões de pessoas em todo o mundo a beneficiarem das vastas oportunidades que uma economia digitalmente avançada pode trazer. O Índice de Inteligência Digital é crucial para informar estas intervenções – por parte do governo, das empresas e do terceiro setor –, para criar economias digitais inclusivas e de confiança em todo o mundo.

Uma perspetiva global sobre a Evolução e a Confiança Digital

A edição deste ano do índice mostra duas componentes fundamentais: O Desenvolvimento Digital e a Confiança no Digital. O Desenvolvimento Digital define momento histórico da passagem de uma economia do seu passado físico para o seu presente digital Confiança no Digital é a ponte que liga a passagem do presente digital para um futuro digital inteligente e inclusivo.

Ao mapear 95% da população mundial com acesso à internet e com base em 12 anos de dados, a tabela de pontuação de desempenho do Desenvolvimento Digital regista 160 indicadores em 90 economias e quatro pilares fundamentais: ambiente institucional, condições de procura, condições de oferta e capacidade de inovação e mudança. O cruzamento dos indicadores e dos pilares permitiu segmentar as economias em quatro categorias:

  • Excelentes (Stand Outs) – Singapura, Estados Unidos, Hong Kong, Coreia do Sul, Taiwan, Alemanha, Estónia, Emirados Árabes Unidos, Israel, República Checa, Malásia, Lituânia e Qatar – estão muito avançadas digitalmente e apresentam uma grande dinâmica. São líderes na inovação, baseando-se nas vantagens existentes de forma eficiente e eficaz.
  • Niveladas (Stall Outs) – Suécia, Reino Unido, Holanda, Japão e Canadá – são economias digitais maduras, com um elevado estado de adoção digital apesar algum abrandamento ritmo de desenvolvimento digital. Tendem a trocar velocidade por sustentabilidade e estão normalmente apostadas na expansão da inclusão digital e na construção de instituições robustas.
  • A Despontar (Break Outs) – China, Índia, Indonésia, Polónia e Rússia – evoluem rapidamente. Com esta dinâmica e uma importante margem de crescimento, são muitas vezes altamente atrativas para os investidores.
  • A ter na Atenção (Watch Out) – Nigéria, Uganda, Colômbia, Peru, Paquistão e Sri Lanka – têm uma série de lacunas nas infraestruturas. Apesar disso, os jovens estão a mostrar entusiasmo por um futuro digital com uma maior utilização das redes sociais e dos pagamentos móveis.

Em 42 das economias do índice, a tabela de pontuação de desempenho da Confiança no Digital regista 198 indicadores em quatro pilares fundamentais: comportamento, atitudes, ambiente e experiência. 

  • Economias como o Brasil, a Colômbia e o México estão a começar a ganhar força nas pontuações de comportamento, demonstrando um envolvimento substancial nas redes sociais e outras novas tecnologias.
  • Economias como a China, a Indonésia e o Vietname têm atitudes cada vez mais favoráveis em relação ao futuro digital, impulsionadas pela rápida expansão da adoção e das oportunidades digitais. 
  • Economias com abordagens mais maduras para a digitalização e políticas conexas, como a Suécia, os Países Baixos e a Dinamarca, partilham medidas, que reforçam o ambiente de confiança, como as políticas de privacidade, segurança e prestação de contas. Os cidadãos destes países tendem a ter atitudes mais otimistas em torno do futuro da digitalização.
  • Economias como os Estados Unidos, Hong Kong, Taiwan, Coreia do Sul e Singapura oferecem aos cidadãos uma experiência quase perfeita, graças a um Santo Graal de infraestruturas avançadas, acesso amplo e interação sem precedentes. Esta experiência é acompanhada por elevados níveis de envolvimento, oferecendo a estas economias uma vantagem clara num futuro «para lá do acesso».

Mark Barnett, Presidente da Mastercard Europe, afirma que “como todos nós vivemos cada vez mais «digital first», é importante compreender como evoluiu a digitalização dos países e como a confiança no ecossistema pode contribuir para o crescimento e prosperidade. As economias europeias estão entre as mais evoluídas do mundo em termos digitais, mas à medida que a tecnologia evolui também a nossa abordagem deve evoluir. O ambiente político europeu e as suas instituições, as condições da infraestrutura e a forte confiança dos consumidores estão a permitir que as economias da região prosperem como líderes digitais sustentáveis e inclusivos”. 

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