Os projetos Big Data e analytics são inicialmente projetos de tecnologia, mas devem ser iniciativas que têm um impacto positivo sobre o negócio. À medida que a estratégia é implementada no dia a dia as empresas vão mudando a forma de trabalhar das unidades de negócio.

1 – Novas funções e competências dos analistas de negócios. Este perfil inclui um importante leque de profissionais relacionados com a análise e reporting, tais como analistas de risco, controlo de gestão, marketing analítico, controlo de operações, reporting financeiro, auditoria, conformidade regulamentar e qualquer outro profissional integrado numa área de reporting com um intenso trabalho com os dados. O marco em que estes perfis são desenvolvidos é cada vez mais complexo à medida que a necessidade de rapidez e agilidade na tomada de decisões aumenta num mercado cada vez mais exigente e competitivo, e onde os dados são um ativo crucial nas suas operações.

2 – Novas ferramentas que exigem necessidades de formação. Ferramentas que permitem a realização de ciclos de análise e reporting em tempos cada vez mais curtos e o acesso a fontes de informação cada vez mais heterogéneas e com um volume de dados elevado e crescente. Estas operações, que anteriormente eram realizadas com as habituais ferramentas de burótica, começam a ser realizadas com novas ferramentas de Business Intelligence do tipo self-service e orientadas para o utilizador final, que implicam importantes necessidades de formação e qualificação.

3 – Ciclos de análise e reporting cada vez mais curtos. Reduzir o tempo dedicado a relatórios periódicos e evitar processos manuais passa por automatizar processos. Os analistas de negócios devem pensar cada vez mais na criação de regras e procedimentos que permitam automatizar estes processos com o apoio de ferramentas de Business Intelligence orientadas ao utilizador. Da mesma forma, estas regras podem ajudar a implementar processos de validação e quadruplicação que suprimam processos manuais.

4 – Informação relevante evitando as “arrecadações” de informação. Nos últimos anos, muitas empresas embarcaram na construção de data lakes que lhes permitem armazenar grandes volumes de informação e uma estrutura de dados muito diversificada. Frequentemente, estes armazéns tornam-se uma «arrecadação» de informação, onde alguns blocos que são armazenados, mas não são analisados, são guardados caso sejam necessários. O desafio para os analistas de negócios é selecionar, em conjunto com as equipes de IT, as informações verdadeiramente relevantes e valiosas para o negócio. Para isso, devem racionalizar estes armazéns, para que possam tirar partido da sua flexibilidade e capacidade de armazenamento, mas racionalizando e rentabilizando os catálogos de informação.

5 – Integração das novas fontes de informação. A incorporação de arquiteturas de Big Data, permite às empresas integrar novas fontes de informação que enriquecem a sua análise, mas às vezes pode ser complexo na sua estrutura (dados de blogs, redes sociais, sensores …). Por outro lado, estas fontes tendem a ser massivas e de crescimento muito rápido, às vezes perto do real-time. São muito diferentes da habitual estrutura conhecida e, geralmente procedente dos sistemas internos da empresa. A sua gestão envolve o uso de ferramentas de Business Intelligence adequadas e uma gestão rigorosa da qualidade dos dados, em colaboração contínua com as áreas de IT para que a integração seja bem-sucedida.

6 – Mudança de mentalidade e cultura analítica. Tirar partido de Big Data e Analytics implica uma orientação assente em dados e uma cultura analítica na empresa. Isto implica uma mudança de mentalidade, já que às vezes as conclusões da análise dos dados frios podem desafiar as intuições empresariais ou as perspetivas iniciais e mostrar conclusões diferentes das esperadas. Temos de estar preparados para que os resultados dos dados nos obriguem a retificar e a ter a flexibilidade necessária para o fazer.

«Uma empresa orientada a dados deve ter analistas rigorosos com as mesmas abordagens flexíveis, dispostos a ouvir os dados, sem forçá-los a dizer o que esperam«, disse Juan Vidal, chefe de projetos de Business Intelligence e professor na MBIT School. Para quem, «o próximo desafio do analista é ter uma boa capacidade de comunicação para apresentar estes resultados à administração da forma mais convincente. Administração que terá de demonstrar que é também orientada para os dados».

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