O comércio eletrónico vai somando cada vez mais adeptos em Portugal. A moda é a categoria mais popular e aquela que mais cresce, a par do calçado. Os frescos e bebidas também mostram valores promissores.

Os dados são do Barómetro E-shopper 2018, promovido pelo DPD Group  a nível europeu, e indicam ainda que embora o número de portugueses que compra online continue a subir, a limitada taxa de penetração da internet pode estar a impedir um maior desenvolvimento do ecommerce em Portugal.

“Portugal tem uma das melhores infraestruturas de banda larga, permitindo o acesso facilitado à internet, mas a taxa de utilização é ainda claramente reduzida”, comenta Olivier Establet. A esta barreira ao desenvolvimento do ecommerce junta-se o reduzido investimento das pequenas empresas nas plataformas online. “Não nos podemos esquecer que somente 40% das empresas portuguesas têm presença online”, referiu o CEO da Chronopost Portugal, citando os dados do mais recente estudo da ACEPI/IDC.

Os valores no mercado português estão 2,1 pontos percentuais abaixo da média da UE, mas ainda assim o país mostra um “dinamismo encorajador”, salienta o DPD Group no relatório.

As principais diferenças do comportamento do e-shopper português face aos restantes países da Europa prendem-se com a elevada taxa que faz compras em sites estrangeiros, que são quase 28% – mais 9% que a média europeia. “Uma das razões será a falta de presença de algumas marcas a nível nacional, mas podemos acrescentar a forte aposta dos e-retailers internacionais em fazer grandes políticas de descontos, muitas vezes inacessíveis ou impraticáveis pelas empresas nacionais”, considera Olivier Establet.

De qualquer forma, os maiores retalhistas portugueses têm seguido esta medida, visando combater a saída dos e-shoppers para websites estrangeiros, nomeadamente naqueles que são os principais artigos comprados, como a moda e calçado e a tecnologia, destaca.

Os ciberconsumidores portugueses também se diferenciam dos seus homónimos europeus pela utilização do smartphone para comprar online, com valor nos 54%, quando a média é de 46%. Os dados para Portugal do estudo europeu indicam que a Moda é a categoria mais comprada e, juntamente com o Calçado, aquela que mais cresce (+5pts percentuais face a 2016). A taxa de penetração dos Frescos e bebidas também está igualmente a consolidar-se (+4pts percentuais).

Os resultados do estudo mostram ainda que os e-shoppers portugueses consideram importante conhecer o nome da empresa de entregas, notando-se que há uma tentativa de assegurar que esta parte da compra online corre pelo melhor. “Não se trata tanto de uma desconfiança, mas sim de uma preferência por um operador por quem já se recebeu uma encomenda anteriormente e com quem se teve uma experiência positiva ou para evitar repetir uma situação que correu mal com uma empresa específica”.

Para o responsável da Chronopost, os e-shoppers querem claramente poder escolher quem lhes entregará a encomenda, indicando que a experiência de entrega é tão importante como a de compra online em si e é um dos motores para se adquirir ou não bens num dado website.

Embora as devoluções não sejam um fator crítico, por representam um número reduzido no total de compras, em alguns sectores, como a moda, podem efetivamente marcar a diferença. “A facilidade de devolver encomendas e o conhecimento da política de devoluções no momento da compra são os dois pontos mais importantes para os compradores nesta temática, que os e-retailers têm de deixar claro nos seus websites e que os operadores de entregas devem apoiar, desenvolvendo soluções práticas, como é o exemplo do portal return-my-parcel que a Chronopost disponibiliza”.

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