Antes desta crise sanitária, em Portugal falava-se cada vez mais na transformação digital. Nos diversos eventos que a Ecommerce News teve presença o tema repetia-se, assim como as ideias e projetos para pôr em marcha a transformação digital. O surto do coronavírus veio forçar o nosso país e o mundo a unir forças para construir ligações onde o digital ainda não é predominante.

A UNCTAD (United Nations Conference on Trade and Development) realizou um estudo, The COVID-19 Crisis: Accentuating the need to Bridge Digital Divide, no qual demonstram as implicações da pandemia, a força da digitalização e como nem para todos os que estão no online esta situação é vantajosa.


À distância

Para que consigamos baixar a curva, o distanciamento social é essencial e, por isso, locais como escolas e escritórios tiveram que fechar e readaptar-se. As palavras do dia são teletrabalho, ensino online, conferências virtuais. As aplicações como o Skype, Zoom, Cisco, Microsoft Teams têm visto o número de downloads aumentar nas últimas semanas permitindo aos milhares de funcionários continuar a trabalhar e não estagnar por completo a economia dos países.

As escolas aproveitam muitas das mesmas aplicações para aplicar o ensino à distância. Apesar da permitir a aprendizagem a muitos alunos veio acentuar algumas discrepâncias sociais. Um número de alunos, ainda não quantificado pelo governo, não têm acesso a computadores ou à Internet. Nesse sentido o governo português decidiu passar a partir de dia 20 deste mês aulas através da televisão para chegar a um maior número de alunos do ensino básico. Estas são aulas passarão na RTP Memória.

O aumento do uso da internet e de programas online levou ao incremento do uso e busca de serviços cloud e das soluções associadas. Isto poderá ser um game changer para as empresas que fornecem esses serviços.

A mudança no comportamento do consumidor

O ecommerce está a experimentar um aumento muito grande. O consumidor está a privilegiar o ecommerce em relação ao retalho tradicional neste período de isolamento mas, o que estamos a comprar online também é diferente do que comprávamos antes. Enquanto as cadeias de supermercados não têm mãos a medir com tantos pedidos e as plataformas de streaming como a Netflix, HBO e youtube viram as suas receitas e utilização a aumentar, as plataformas de viagens e mobilidade sofreram uma quebra, o que tem repercussões em muitos dos trabalhadores que estão em situações especialmente vulneráveis por não tere, seguro laboral.

Proteção, segurança, fake news

Com o aumento do uso online a partir de casa também aumentaram as preocupações com a segurança. As home networks têm menos garantias de segurança que as dos escritórios que estão preparadas para o efeito. Associada à segurança está a privacidade. Serão as apps seguras? Garantem a privacidade dos milhares estudantes que estão a utilizá-las, muito menores de idades?

O momento que se vive está também a ser aproveitado para outros propósitos como o ciber crime. Como já referido noutros artigos surgiram muitas burlas associadas ao coronavírus, vendas de produtos que «curam», produtos falsificados, falsos médicos, ciberameças, entre muitos outros. As ligações às redes sociais também cresceu e com elas o aumento da criação e difusão de fake news. Enquanto meio de comunicação temos o dever de trazer ao leitor informação verdadeira, o que não se passa com o utilizador comum das redes sociais que lê algo e partilha, sendo a informação não confirmada propagada de forma fácil.

À procura da cura

Passamos de «À procura de Nemo» para «À procura de cura». E é assim que está um mundo inteiro, a investir e a tentar encontrar uma cura ou uma vacina o mais rapidamente possível. Nomes de medicamentos como hidroxicloroquina foram posto em cima da mesa mas ainda nenhum está aprovado pelas instituições oficiais como por exemplo a FDA (Food and Drug Administration). Na China plataformas digitais com a Alibaba Cloud anunciaram a criação de de Inteligência Artificial para ajudar na procura da cura. Nos EUA a IBM, Google, Amazon, Microsoft, entre outras empresas, seguiram o mesmo caminho e mobilizam recursos para a descoberta de uma cura e para que possamos rapidamente voltar a uma maior normalidade.

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