Roupas da coleção do CR7, da Fred Perry ou da Diane Von Furstenberg, são algumas das peças que poderá encontrar na United Boutiques. Um marketplace que nasceu para lutar contra o desperdício, «11 mil milhões de desperdício têxtil todos os anos«, segundo a Catarina Nogueira, fundadora da United Boutiques.

A Catarina esteve connosco na Ecommerce News Portugal, e falou-nos do seu marketplace, como surgiu, o seu conceito e como está diretamente relacionado com um mundo mais sustentável.


Ecommerce News Portugal (EcN): Os Marketplaces são uma realidade recente em Portugal, mas fazem parte do presente dos negócios. Qual é a sua opinião?

Catarina Nogueira (CN): Na minha opinião, os marketplaces têm imensas vantagens, sobretudo para os players envolvidos. Do lado de quem vende é muito prático pois permite que, com pouco conhecimento tecnológico, os produtos sejam colocados à venda no online de forma rápida, sem ser necessário desenvolver uma loja online. Permite também distribuir os recursos por várias empresas. Vejamos o exemplo da United Boutiques: fazemos fotografia, armazenamento, comunicação, logística…ou seja, alocamos os recursos da nossa empresa para várias outras empresas. Esta captação de recursos é fundamental nos dias de hoje.

Do lado dos consumidores, permite-lhes ter acesso ao comércio local sem terem de aceder a vários sites. Compram os produtos que querem sem ser preciso visitar as marcas; vão ao encontro das necessidades do consumidor. Na United Boutiques o nosso foco é facilitar o acesso aos artigos com as características que as pessoas procuram. Sem dúvida que é uma mais valia para os consumidores, um acrescento de valor.

EcN: Como surgiu o projeto da United Boutiques? Qual o modelo de negócio e qual o foco do vosso Marketplace?

CN: O nosso foco são exatamente os pequenos negócios e o comércio local, pois são negligenciados pelas soluções que já existem. Quando percebemos que existe stock que não é vendido e quisemos perceber como as marcas o solucionam, vimos uma lacuna no mercado porque não há resposta para as lojas mais pequenas. Temos marcas mais comuns e acessíveis, mas também as premium, que já pertencem a um segmento de luxo e semi-luxo. Temos peças da Diane Von Furstenberg e de outros designers. As lojas que vendem estas marcas não têm solução para estes produtos que sobram. Até pelo facto das grandes marcas imporem uma série de restrições: não podem colocar produtos com grandes descontos, nem apresentar peças de coleções anteriores junto das peças da nova coleção. A United Boutiques foi a solução que encontrámos. No nosso modelo de negócio, as condições não são iguais para todas as lojas e dependem das características de cada produto e de outros fatores. As lojas que estão connosco são confidenciais e cada uma tem as suas próprias comissões, cada caso é um caso. A United Boutiques surgiu no âmbito do “start-up voucher”; foi o grande impulsionador tecnológico. Ao mesmo tempo, a experiência anterior que tive no campo da moda sustentável com um projeto de roupa em segunda mão deu-me muita experiência na área do e-commerce, da sustentabilidade, da gestão da empresa.

EcN: A recente lei PSD2 relativa aos Marketplaces tem a especificidade de regular prazos curtos no que toca aos pagamentos a vendedores. Como funcionam nesta questão e qual é a vossa relação com os vendedores? 

CN: A responsabilidade de pagar aos vendedores é nossa. Após cada venda, os vendedores emitem a fatura e no prazo máximo de uma semana nós fazemos o pagamento. Nós não compramos os produtos, somos um canal de vendas, vendemos à consignação. Para além disso, temos uma relação muito próxima e amigável com os lojistas porque metade deles entraram no projeto sem pensar duas vezes, mesmo antes de verem o site e o projeto tecnológico, foi um voto de confiança que nos deram e uma aposta no nosso valor. Posicionamo-nos como parceiros digitais das lojas, gerimos toda a parte tecnológica e queremos que eles se concentrem naquilo que fazem bem. No início só tínhamos a opção de armazenamento mas atualmente já temos drop-shiping e assim facilitar todo o processo ao logista. 

EcN: Como é que a United Boutiques se diferencia dos outros Marketplaces?

CN: A grande vantagem é que todos os produtos apresentam algum desconto, somos um outlet online na ótica do consumidor. Durante todo o ano temos produtos com preços reduzidos. Para além disso, as pessoas podem aceder a marcas com preços acessíveis. Por outro lado, temos critérios apertados de entrada na nossa plataforma em relação à qualidade dos produtos. Quem compra connosco tem a garantia de que vai receber artigos em bom estado, independentemente de serem coleções passadas e estarem armazenadas. Apelamos à compra consciente e ao mesmo tempo com qualidade. O feedback que temos é que existe uma sensação de “empoderamento” no sentido das pessoas adquirem peças que podiam ser destruídas, o que nos diferencia em termos de sustentabilidade e desperdício evitado, 11 mil milhões de desperdício têxtil todos os anos.

EcN: Em relação à logística, garantem entregas rápidas. Tanto em Portugal como no estrangeiro?

CN: Vendemos internacionalmente e é uma questão de pagamento dos portes. Somos uma empresa recente, só existimos desde o final do ano passado, portanto as nossas vendas são sobretudo em Portugal. Trabalhamos com os CTT na península ibérica, que garantem entregas muito rápidas (trabalham em parceria com os Correos de Espanha), com envios em 2 dias. Habitualmente, o consumidor encomenda num dia e recebe no dia seguinte, caso as peças estejam connosco e sejam encomendadas até ao período da tarde.

EcN: Considera que os consumidores estão disponíveis para esperar ou é essencial no e-commerce que as entregas sejam rápidas?

CN: Do que percebemos pelo mercado, a rapidez das entregas é um dos fatores essenciais para o consumidor. Neste sentido, acaba por constituir um dos três pilares da nossa empresa: a sustentabilidade, a digitalização do comercio local e a atenção ao consumidor. Compreendemos que existe uma expectativa que cresce quando se compra num site, o consumidor procura receber os seus produtos quase de imediato.  Neste sentido, para além de termos um envio muito rápido, temos atenção ao cliente: fazemos uma embalagem bonita, um cartão de agradecimento e oferta de um desconto para a compra seguinte. Queremos mimar quem nos compra e corresponder à expectativa crescente sem a defraudar. Mesmo antes da compra estamos muito acessíveis nas redes sociais e atendemos as dúvidas e questões dos clientes de forma próxima. As pessoas conversam connosco com toda a facilidade.

EcN: A relação próxima com o cliente foi intencional ou foi acontecendo naturalmente?

CN: Foi natural. Temos todos os contatos disponíveis, também comunicamos através das redes sociais. Esta é uma das mais-valias da United Boutiques em comparação com os marketplaces maiores. O nosso posicionamento como marketplace é ser a cara dos lojistas, passa por nós a faturação, não somos apenas uma plataforma, interagimos com eles. De facto, juntamos na United Boutiques o comércio local e somos o atendimento desses negócios.

EcN: Relativamente à Black Friday ou às épocas de saldos, têm algum tipo de iniciativa particular?

CN: Nós temos uma política de preços muito particular. Como temos promoções durante todo o ano, não seguimos a tendência dos saldos.Temos um desconto extra de 10% para os assinantes da nossa Newsletter, para além dos descontos que temos no site. Temos algumas iniciativas que não são regra, mas por exemplo quando recebemos stock de uma loja nova oferecemos descontos. Fizemos recentemente um com a CR7 Underwear, também fotografamos um conjunto de peças de verão e quem as comprasse tinha direito a desconto. Na Black Friday ainda não pensámos mas certamente teremos uma iniciativa especial.

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