Se pensa que o mercado imobiliário e o online não se ligam está enganado! A Zome, uma agência de compra e venda de imóveis, criou o Zome Now e o Zome Go!, duas tecnologias inovadoras para a compra e venda de imóveis, que permitem que o processo seja 100% online.

Na Ecommerce News Portugal conversamos com a Patrícia Santos, CEO da Zome, que nos explicou o seu mindest e nos introduziu estes projetos que fazem da Zome um caso de sucesso em Portugal.


Ecommerce News Portugal (EcN): No seu perfil do Linkedin diz ser uma pessoa competitiva. De que forma é que tenta introduzir essa competitividade no mundo profissional? 

Patrícia Santos (PSantos): A competição saudável no mundo profissional faz-se de um equilíbrio entre o desejo constante de evolução e o aperfeiçoamento das dinâmicas da empresa, que tem obrigação de providenciar as melhores ferramentas para que os colaboradores se sintam motivados a superarem-se. Quando digo que sou competitiva não me refiro apenas numa lógica de concorrência com os meus pares ou com outras empresas do mercado, mas sim numa perspetiva de evolução pessoal, estabelecendo objetivos ambiciosos e tentando sempre evoluir. É precisamente essa cultura que incutimos e fomentamos na Zome e no sector imobiliário, sempre num clima saudável. Defendemos uma lógica de ‘cooptitividade‘, ou seja uma mistura de cooperação e competitividade, entre as nossas equipas de consultores imobiliários. Acreditamos que essa lógica garante maior motivação, incentiva a criatividade e a inovação e retira as pessoas da zona de conforto, não as deixando acomodarem-se. Enquanto família de acolhimentos, digamos assim, é nossa obrigação criar todas as condições para que os nossos profissionais atinjam resultados de excelência e é precisamente o que temos feito.

EcN: Tem uma vasta experiência em startup de empresas. Pode contar-nos um pouco do seu percurso até chegar à Zome? 

PSantos: Iniciei a minha carreira como consultora na área de segurança no trabalho e formadora em várias áreas. Como consultora tive a oportunidade de, em duas das empresas com quem trabalhei, uma delas internacional, ajudar a desenvolver a área de negócio em Portugal, tendo como responsabilidade a captação de clientes e a definição nos níveis de serviço a prestar e respetiva orçamentação de forma a garantir a viabilidade económica do projeto. Sendo eu uma pessoa de fazer acontecer, no mundo da consultoria sentia falta dessa adrenalina e quando surgiu a oportunidade de ser Gestora de Projeto na construção de parques eólicos não hesitei em agarrar a oportunidade. Era um fabricante de aerogeradores Indiano, no qual tive a oportunidade de redefinir todo o conceito de gestão de projeto, controlo de custo e relação com o cliente. Em pouco tempo fui promovida a Diretora do departamento de Gestão de Projetos pelos excelentes resultados alcançados e pelo aumento de rentabilidade da empresa. Em paralelo com estes projetos desenvolvi alguns negócios próprios na área do entretenimento, saúde, consultoria e no imobiliário.

EcN: Como foi a sua entrada na Zome? O comércio imobiliário era algo novo para si? Como foi a adaptação?

PSantos: Em 2006, em sociedade com mais duas pessoas iniciamos um projeto imobiliário em sistema de franchising. Tinhamos em comum vir da área de engenharia e adorarmos trabalhar com pessoas e ajudá-las a desenvolverem-se. Encontramos no imobiliário uma excelente oportunidade de aplicar todos os nossos conhecimentos na área de sistematização e tecnologia de forma a tornar o negócio mais eficiente, rentável e com possibilidade de crescer a dimensões que não eram habituais na altura neste setor. Outra grande experiência que aportamos para este setor foi a gestão e desenvolvimento de equipas dado que todos trazíamos experiência de trabalhar em grandes empresas e multinacionais. Em 2019, com o lançamento da Zome assumi a posição de CEO tendo como missão gerar oportunidades de empreendedorismo, desenvolver carreiras produtivas e criar a melhor experiência imobiliária do mundo. Mudamos vidas, juntos! A adaptação foi facilitada pelo fato de haver um alinhamento total com os valores e missão da empresa e de trabalhar com a melhor equipa de profissionais do mundo. O desafio é grande pois entramos num mercado já com grandes players, mas queremos marcar a diferença e tornar a carreira imobiliária ainda mais notável e para isso a nossa grande aposta é a qualidade e produtividade e não a quantidade. Queremos deixar um legado com marca portuguesa e tornarmo-nos a primeira empresa 100% nacional a exportar para todo o mundo know-how no setor imobiliário.  

EcN: A Zome lançou recentemente a Zome Now um serviço de compra de imóveis online inovador em Portugal. Pode falar-nos um pouco sobre este projecto? 

PSantos: O Zome Now é um serviço inovador de compra e reserva online de imóveis, com processos simples e rápidos. A solução estava a ser trabalhada há vários meses, antes do início da pandemia, e tratámos de a colocar no mercado com a maior celeridade possível, no início do mês de abril.  É uma ferramenta muito útil e intuitiva, que garante que os negócios imobiliários possam continuar a ser concretizados com máxima segurança. O Zome Now assenta em duas grandes modalidades: Proposta de Compra e Reserva Direta (pelo valor de venda do imóvel). No caso da Proposta, esta é submetida e, caso seja aceite pelo proprietário, são recolhidos os dados do potencial comprador. Se for necessário recurso a crédito à habitação é elaborada uma ficha financeira, sempre com acompanhamento remoto de um intermediário de crédito da Zome. Logo que haja luz verde para avançar, deverá ser feito um depósito de 2500 euros que garante a realização de contrato-promessa de compra e venda (CPCV) no prazo de um dia útil. O procedimento é exatamente o mesmo, em caso de Reserva Direta.

EcN: No processo de compra de um imóvel, algumas pessoas preferem fazer essa compra presencialmente, vendo primeiro a casa e só depois decidir se quer ou não comprar. Sentem que as pessoas confiam na compra online de casas?

PSantos: Sentimos que confiam, assim que percebam que o acompanhamento garantido pela Zome é tão próximo como se fosse presencial – esse é o maior desafio! – e que temos um conjunto de ferramentas que lhes permite conhecer o imóvel como se o visitassem. Asseguramos que toda a oferta de casas da Zome tem excelentes fotos de interior e exterior das mesmas, visitas virtuais de interior e exterior e metodologias de vídeo-visitas com interação em tempo real entre potencial comprador e a visita neste novo formato E, se quiserem, podem obviamente visitar in loco, porque agora, felizmente, já é possível. Mas a verdade é que os dados nos mostram que a aceitação à compra exclusivamente online foi tremenda, mesmo  numa fase de desconfiança e alguma indefinição relativamente à economia. Nos primeiros três meses de funcionamento, o Zome Now permitiu fechar acordos no valor de 15,6 milhões de euros, num total de 79 transações. Um número que representou 26% do volume total de negócios feito pela Zome nesse período e que é um indicador de enorme aceitação dos clientes a uma ferramenta única no mercado.

EcN: Como foi o período de quarentena na Zome? Quais são as maiores dificuldades e desafios que tiveram para lançar este  projeto? Aumento ou diminuição das vendas?  Aumento ou diminuição da procura?

PSantos: No período de quarentena registámos de facto uma diminuição da procura (leads), na ordem dos 50% e uma quebra nas vendas na ordem dos 30%, números elevados, mas que incidiram sobretudo nos meses de março e abril. A partir do início de maio a recuperação tem sido gradual e com crescimento constante, o que nos abre boas perspetivas para o futuro. O Zome Now acabou por ser mais fácil de lançar, porque não o criámos nem idealizámos como resposta a esta situação. Já estávamos a trabalhar nesta plataforma há largos meses e acabámos apenas por lança-la em antecipação, numa versão Beta. Como já referi, a aceitação não podia ter sido melhor, tanto da parte dos colaboradores como da parte dos clientes, que perceberam o quão vantajosa, intuitiva e útil é esta ferramenta.

EcN: A procura foi maioritariamente por portugueses? 

PSantos: Não registámos grandes diferenças entre o pré-pandemia e o período atual. A grande maioria dos nossos clientes continuam a ser nacionais, mas mesmo em período de confinamento efetuámos negócios, através da plataforma online Zome Now, com estrangeiros a residirem fora de Portugal, em países como Brasil, França, Estados Unidos e Reino Unido.

EcN: Atualmente têm cerca de 18 centros imobiliários distribuídos por todo o país, chegando também a Espanha. Até que ponto pensam em expandir a marca até outros países?

PSantos: A expansão internacional é um objetivo, nunca o escondemos, mas a aposta primordial ainda é o mercado nacional. O próximo objetivo é alargar a nossa rede nacional – temos prevista abertura de mais 10 hubs até final do ano –  e, idealmente, desejamos num futuro próximo ter hubs em todas as capitais de distrito. Por outro lado, queremos reforçar a presença em Espanha e, mais tarde, pensar nas principais capitais europeias como próximos destinos, ou no Brasil, de onde também já tivemos uma série de abordagens. Mais do que quantidade, queremos continuar a ter um serviço excelência e para isso o foco principal tem de ser na qualidade.

EcN: Muitos falam de uma crise que se avizinha. Como poderá afectar o sector imobiliário?

PSantos: Continuamos a achar  que é prematuro fazer qualquer tipo de previsão relativamente ao mercado. O mês de Abril foi particularmente difícil, com um decréscimo  acentuado no número de transações de imóveis, no entanto, desde o início de maio que temos registado uma recuperação generalizada e sustentada para valores mais próximos aos do início do ano. Dependendo sempre da evolução da pandemia, o contexto económico mundial pode alterar-se, mas mantemo-nos muito positivos, até porque temos sido capazes de encontrar soluções inovadoras e altamente eficazes para minimizar potenciais danos. Os preços das casas não sofreu, para já, grande alteração, quer no que respeita a compra e venda, quer no que respeita ao arrendamento. Os indicadores que temos dão-nos ânimo e otimismo para nos  adaptarmos e em relação às vendas online, os indicadores que temos é que deverão aumentar não diminuir.

EcN: Que estratégias têm planeadas para o final de 2020, tendo em conta a forte pandemia que se vive no mundo?

PSantos: Continuamos a inovar no mercado imobiliário e a desenvolver ferramentas únicas que permitem aos clientes uma experiência imobiliária diferenciada para melhor. Lançámos recentemente o Zome Go!, uma ferramenta digital que permite acelerar o processo de venda de imóveis, determinando o seu valor real de mercado com recurso a tecnologia de big data e inteligência artificial, e agregando na plataforma tecnológica Zome App toda a informação, de modo a agilizar as restantes fases do processo. Ao fazer GO!, as características do imóvel serão colocadas automaticamente numa das maiores bases de dados imobiliários de Portugal, cruzando informação com mais de 2,5 milhões de imóveis registados, que estão ou estiveram recentemente no mercado e integram o histórico anterior de vendas. As vantagens deste processo gratuito e sem qualquer tipo de vínculo com o potencial vendedor residem em três aspetos fundamentais: posicionamento correto do imóvel no mercado, aceleração do processo de venda por via da digitalização e melhoria da experiência imobiliária e dos resultados alcançados. É com este e vários outros serviços únicos e inovadores, que contamos superar esta fase mais complicada e ajudar os nossos clientes a superarem também.

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