Com uma herança de mais de 40 anos, a Moviflor passou por momentos difíceis quando, em 2014, os administradores da empresa declararam insolvência. Com uma nova administração desde 2015, a Moviflor aparece adaptada aos dias de hoje e ao online e de volta ao Top of Mind dos portugueses.

Na Ecommerce News Portugal falámos com a Vanessa Arlandis, Head of eCommerce and Digital Marketing da Moviflor para perceber como foi 2018 a nível do online e os seus planos para o futuro.

Ecommerce News: A Moviflor foi reconstruída desde 2015 após a mudança de proprietários. Qual é a aposta de empresa no canal online?

Vanessa Arlandis: Desde o início que a nova administração teve uma preocupação grande com o digital. A Moviflor enquanto marca é muito poderosa, e como por enquanto temos duas lojas físicas em Aveiro e Coimbra, e brevemente em Viseu, um dos cuidados foi chegar a todo o país e principalmente aos clientes que já estavam fidelizados à marca. A abertura de mais lojas está nos planos, mas é um processo mais lento e para satisfazer os clientes que não estão perto de uma das nossas lojas físicas investimos numa solução online.

Ao mesmo tempo a aposto no canal online serve também para a divulgação do ressurgimento da marca. A Moviflor tem uma herança de 44 anos e uma conotação muito emocional. Está no top of mind dos portugueses, na terceira posição hoje em dia.

É através do online que relembramos que a Moviflor não morreu, está aqui mas de cara lavada, adaptada ao dias de hoje.

Ecommerce News:  Como fecharam a nível de vendas em 2018? E qual foi a percentagem de vendas online?

Vanessa Arlandis: Em 2018 a Moviflor faturou 10 milhões de euros e as vendas online são 6% do negócio. O objetivo para este ano é fechar com 10% do volume de negócios total.

Em 2018 a Moviflor faturou 10 milhões de euros e as vendas online são 6% do negócio. O objetivo para este ano é fechar com 10% do volume de negócios total Clic para tuitear

Ecommerce News: Qual o nível de tráfego que têm mensalmente?

Vanessa Arlandis:  Esta nova loja online surgiu muito recentemente, em abril deste ano, tem apenas 4 meses, portanto considero que está em fase de crescimento, ainda não está em fase de equilíbrio. Tem cerca 120.00 visitas por mês, em sessões equivale a 2 milhões e meio por ano. O que eu tenho verificado, apesar de ainda não existir muito histórico, é que os clientes que têm voltado à loja online já atinge valores de 30%, um valor de com tendência a aumentar o que significa que estamos a fazer um bom trabalho e estamos a fidelizar os nossos clientes. Contudo, os 70% de novos visitantes também é um valor a ter em conta, poderá estar relacionado com esta fase de estabilização mas também com o facto de estarmos a chegar a mais pessoas.

Ecommerce News:  Estão a apostar na omnicanalidade? Podemos ver que oferecem a opção ClickCollect ao utilizador. Qual o nível de complexidade que foi necessário para a implementação desta ferramenta?

Vanessa Arlandis:  O omnichannel será o nosso próximo desafio. Qualquer ecommerce tem que ter em vista uma estratégia de omnichannel. Nós tentamos ao máximo oferecer uma experiência única ao nosso cliente e por isso já temos algumas estratégias que estão relacionadas com a omnicanalidade, como a opção de comprar online e recolher na loja, mas a nível tecnológico ainda não nos é possível ter uma experiência totalmente omnichannel.

Existem outras estratégias que poderão estar relacionadas com o omnichannel como o cartão de cliente. O nosso cliente tanto pode descontar online como nas lojas físicas. E apesar de ainda não ser omnichannel há uma preocupação em oferecer uma experiência integrada em todos os nossos canais.

EcN: Desenvolveram-na internamente ou apoiaram-se no software de alguma empresa?

VArlandis: Não há um software nosso específico para isto. Quando entrei tinham um site em WordPress (woocommerce) que foi bom para testar o mercado e perceber que se podia vender online esta tipologia de produtos, mas tinha que ser muito melhorado e quando entrei tivemos que começar do zero. A administração é muito atenta ao digital e isso foi essencial para que pudéssemos  desenvolver este projeto. É muito importante, mais, é obrigatório oferecer uma boa experiência de compra ao cliente.

EcN: Que percentagem de compras online são recolhidas na loja? (Click-and-Collect)?

VArlandis:  Neste momento as compras online recolhidas em loja são 20% e a maioria das vendas online vêm de Lisboa e Porto.

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EcN: Momentos comerciais do ano. A campanha de Regresso-às-aulas está a fechar. Como foi?

VArlandis:  Como o período de regresso às aulas ainda não terminou ainda não temos valores finais, mas está a correr bem. Não nos influencia assim tanto porque apesar de sermos uma empresa de mobiliário, o nosso foco maior não é o material de escritório.  Temos alguma oferta, mas o nosso regresso às aulas é sempre muito doméstico, secretária para o filho, estante para os livros do adolescente, a cadeira gamer mas não é nada de escritório puro e duro.

EcN: Que outros momentos comerciais do ano são importantes para a Moviflor? Sexta-feira negra? Natal?

VArlandis:  Depois do regresso às aulas começa a melhor época, o que eu gosto mais de trabalhar, o trimestre de outubro, novembro e dezembro. A nossa peak season é sem dúvida a semana da Black Friday, o Natal e os Saldos de janeiro. Curiosamente, e algo que não acontece muito em ecommerce mas que para nós também é uma época muito boa, são os meses de verão. Julho e agosto são meses bons, ao contrário do espectável, por causa dos nossos emigrantes, vêm a Portugal de férias e aproveitam para comprar mobiliário. Muitas vezes compram online de onde estão e informam-nos das datas em que estarão em Portugal.

EcN: Redes sociais. Estão a apostar fortemente em canais como o Instagram e Facebook. Que estratégia estão a desenvolver nesta plataforma?

VArlandis: Quem não é visto não é lembrado, mas eu sou da opinião que trabalhar poucos canais, mas cada um deles com qualidade é a melhor solução. Existem algumas ferramentas que estamos a trabalhar aos pouquinhos, o vídeo, o Youtube, o Pinterest, mas o nosso foco atualmente é o Facebook e o Instagram. Ao Instagram dedicámo-nos mais este ano  e queremos que sirva para estarmos mais próximos do nosso cliente, criar um sentimento de comunidade, enquanto o Facebook temos uma estratégia diferenciada, está mais focado para o atendimento ao cliente, tenho notado que o nosso cliente que está no Facebook não procura conteúdo mas procura atendimento, preço, oferta, procura satisfazer dúvidas, em oposição com o do Instagram que procura mais valor no sentido de conteúdo.

EcN: Instagram Shopping?

VArlandis: Sim, temos o Instagram Shopping, fazemos adds – que também fazemos no Facebook – mas como já disse queremos que o Instagram seja a ferramenta de aproximação ao cliente e para estabelecer uma relação.

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EcN:  Estratégias de marketing: Quais são os teus canais favoritos para atrair utilizadores e quais são os melhores a nível de ROI?

VArlandis: Depende. Desde que se justifique e que o meu cliente esteja lá, todos os canais são essenciais para a minha estratégia, ou seja, para angariar utilizadores e para as conversões que é o que realmente interessa. A nível de retorno o google adds tem sido melhor e o email marketing também é muito bom e este é um dos que a nível pessoal eu gosto mais de trabalhar.

Se queres comprar alguma coisa vais ao google, sendo que o segundo motor de pesquisa mais utilizado é o youtube, portanto é importante investir nessas plataformas com conteúdo de qualidade.

EcN: Mobile commerce. Têm uma app? Que tráfego recebem desde o telemóvel? Empresas como o IKEA estão a desenvolver estratégias focadas em Realidade Virtual nas suas apps moblie. Têm planos nesse sentido?

VArlandis: O nosso tráfego é de 70% via mobile e 30% desktop. Apesar de termos menos visitas no desktop atingimos o mesmo valor de conversão que no mobile. Acho que os portugueses se sentem mais seguros a comprar através do computador.

Em relação à app mobile temos em mente lançar uma mas ainda é prematuro porque a nossa loja online só tem 4 meses. O nosso site online está responsive, totalmente adaptado ao mobile e só queremos criar esta app se tivermos algo diferenciador para oferecer e por isso temos em conta estratégias que envolvem não só a realidade aumentada como a inteligência artificial, só assim faz sentido. Se for apenas para compras temos o site que está ótimo.

EcN: Qual é o gap entre a visita mobile e a venda mobile?

VArlandis: A taxa de conversão do mobile é 0,4%.

EcN: Logística: Com que operadores trabalham e que serviços oferecem ao cliente?

VArlandis: Trabalhamos com rota própria em que conseguimos fazer entrega em 2 dias. Trabalhamos também com mais 5 transportadoras e por isso pode levar até 10 dias úteis e essa é a informação que damos ao cliente para não o defraudar. Em termos de serviços oferecemos a entrega e a montagem.

EcN: Meios de pagamento: Com que operadores trabalham e que opções oferecem ao cliente?

VArlandis: Eu sou apologista de ter todos os métodos de pagamentos possíveis! Atualmente temos transferências bancárias, Paypal e referências multibanco, mas vamos ter mais, vamos investir talvez em mbway e cartões de crédito.

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