O e-commerce vive um de seus melhores momentos em Espanha. De acordo com a Comissão Nacional de Mercados e Concorrência, o volume de negócios de ecommerce no segundo trimestre do ano passado foi 23,4% superior ao de 2016, o que em termos absolutos significa mais de 7.300 milhões de euros. A tendência parece imparável e as categorias mais populares entre os compradores online são, por ordem de faturação, bilhetes de avião, vestuário e agências de viagens.

Apesar destes números, há ainda muito a fazer em Espanha. Um estudo da Retail Dive mostra por que os consumidores preferem comprar em lojas físicas em vez de online. 60% dizem que preferem fazer compras numa loja física para poder ver, tocar, sentir e saborear os produtos; 49% para poder levar o produto para casa no momento; 20% pelas facilidades oferecidas pelo comércio tradicional ao devolver um produto; 18% porque gostam do aspeto social das compras; 13% para poder fazer perguntas aos funcionários da loja. Apenas 7% dos entrevistados afirmaram que fizeram todas as suas compras online.

«Conhecer as razões pelas quais os consumidores preferem comprar numa loja tradicional em vez de comprar on-line pode ser fundamental para ajudar o eCommerce a crescer. Facilitar aos compradores online a devolução daqueles produtos que não convencem, melhorar os prazos de entrega ou ter um serviço de atendimento ao cliente eficaz que resolva as dúvidas dos clientes em tempo real, são medidas que podem ajudar a incentivar as compras online«, disse Eduardo Esparza, Country Manager da Webloylaty.

 

A farmácia online

Um dos sectores que está aqui para ficar é o farmacêutico. Apesar de ter passado mais de dois anos desde que a venda de medicamentos sem receita médica através da web foi regulamentada, apenas 470 das 21.968 farmácias existentes no nosso país vendem através do canal online. Fontes do sector atribuem esta situação principalmente a problemas técnicos. Não se trata apenas de ter uma loja online, com o consequente investimento que supõe, é necessário pensar na logística. A armazenagem de produtos, com o objetivo de prestar um serviço o mais rapidamente possível e os custos de transporte, são alguns dos principais desafios que o sector enfrenta.

Também os empregadores do sector, Fefe, alegam a existência de uma disparidade de critérios entre as diferentes Comunidades Autónomas. Por exemplo, Madrid e a Galiza impuseram sanções significativas por incumprimento da regulamentação relativa à publicidade. Apesar de tudo, há uma convicção geral de que, mais cedo ou mais tarde, o sector irá descolar.

Mas embora o ecommerce tenha conseguido superar a insegurança que produziu nos consumidores, ainda há grandes desafios a superar. Entre elas, é essencial ter consciência de que o consumidor é principalmente omnicanal. Eduardo Esparza é claro: «A maioria dos consumidores online inicia o processo de compra num dispositivo e termina noutro, já que podem guardar os produtos na cesta para comprá-los mais tarde. Esta tendência, cada vez mais generalizada, representa um grande desafio para o sector do ecommerce no desenvolvimento de estratégias e orçamentos.”

Por outro lado, a maioria dos retalhistas online no país vizinho tem que implementar inteligência artificial, a fim de otimizar processos e fazer com que os seus clientes comprem cada vez mais e mais facilmente. A inteligência artificial analisa os padrões de consumo e o comportamento do consumidor, o que ajuda os compradores a encontrar itens que desejam mais facilmente.

Um dos maiores desafios do comércio eletrónico são os processos logísticos que podem beneficiar desta tecnologia. Um exemplo claro pode ser encontrado no gigante chinês Alibaba que, após mapear as rotas de distribuição mais eficientes, conseguiu reduzir as distâncias percorridas nas entregas em 30% e o uso de veículos em 10%. Também outros processos, como o atendimento ao cliente, que já podem ser atendidos por chatbots, com a consequente economia de custos.

 

Mantenha-se informado das notícias mais relevantes em nosso canal Telegram