Um estudo realizado pela Universidade Portucalense a cerca de 300 estudantes universitários revela que 99,6% dos estudantes têm acesso diário à internet através de um dispositivo móvel. A rede social mais popular entre os estudantes é o Instagram, utilizado por 95,2% dos inquiridos.

Os estudantes reportaram que, na sua maioria (98.2%) acedem a esta rede todos os dias, sendo que 95.2% têm conta pessoal nesta rede social. Para além da sua conta pessoal e pública, 25.7% responderam que têm uma “conta secundária”, em que partilham informação apenas com os seus amigos mais chegados.


Em termos da sua utilização, 91.5% dos estudantes participantes partilham fotografias de si próprio/a, 52.5% partilham fotografias dos seus amigos, e 30.5% partilham fotografias da sua família. Metade dos participantes relatam que gastam mais de uma hora por dia nesta rede social, havendo 25% que respondem que gastam duas horas ou mais por dia. 25% dos estudantes participantes no estudo têm entre 500 e 100 seguidores na sua conta pessoal e 31.3% têm mais de 1000 seguidores.

A crescente utilização das redes sociais pelos jovens tem suscitado interesse na comunidade científica, nomeadamente no que se refere ao impacto nas suas vidas quotidianas e ao seu bem-estar psicológico. Em termos dos seus riscos, salientam-se os casos de cyberbullying e o acesso a conteúdos violentos ou de discriminação social, que vulnerabilizam esta população. Por outro lado, pouca interação social face a face com a família e amigos, combinada com elevado tempo gasto nas redes sociais, parece estar associada a indicadores mais elevados de solidão.

Contudo, as redes sociais podem ter também efeitos positivos: em momentos em que estes têm menos tempo, possibilidade, ou disponibilidade para interações face a face, recorrem às redes sociais para contrariar o seu isolamento social. Muitos jovens têm a capacidade de fazer um uso equilibrado e positivo das redes sociais, usando-as como um modo de expressão da sua criatividade ou como um facilitador das suas interações pessoais face a face. Assim, a utilização das redes sociais coloca riscos e benefícios ao desenvolvimento e ajustamento dos jovens. 

Por fim, importa referir que a adesão às redes sociais por parte dos jovens coloca também desafios às instituições de ensino superior. Torna-se cada vez mais evidente e necessidade de repensar as práticas pedagógicas de modo a favorecer dinâmicas de ensino e de aprendizagem que potenciem o uso destes meios de comunicação e de partilha de informação como oportunidades de aprendizagem para os estudantes.

Para além das reconhecidas vantagens do uso destas ferramentas, destacando-se um maior grau de autonomia dos estudantes, a sua motivação e envolvimento, o desenvolvimento de competências de pesquisa, resolução de problemas e pensamento crítico, o uso de dispositivos móveis no contexto de sala de aula permite, ainda, aumentar a atenção e interesse dos estudantes. O acesso às redes sociais mostra-se, assim, um aliado pedagógico relevante, que torna possível ao estudante desenvolver competências, aumentar o contacto com outros contextos socioculturais e desenvolver o seu sentido crítico.

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