A moda online é um mercado maduro em Espanha, e encontrar um nicho nele não é fácil. Mas há marcas que chegam fortes e conseguem colocar-se nas primeiras posições, como é o caso da Avelinas Vintage. Uma marca de origem familiar que conseguiu cativar os amantes do vestuário há 20-30 anos. O seu fundador, Sergio Perez, conversou com Ecommerce News para revelar como tem sido o caminho para o sucesso.

Ecommerce News (EcN): Sabemos que deve o nome do seu ecommerce às suas avós, mas diga-nos um pouco mais, como nasceu o Avelinas Vintage?

Sergio Perez (SP): Partiu tudo da inquietude de realizar o meu sonho de criar minha própria marca de moda. Em 2008, eu estava a trabalhar no exterior numa posição em que não podia desenvolver as minhas qualidades, não era o que eu queria nesse momento e achei que poderia contribuir mais. Queria mudar a minha situação laboral. Era muito claro para mim que eu queria ter o meu próprio projeto e desenvolver as minhas ideias aí e não para os outros. Quando comecei com a ideia, a minha abordagem era montar a minha própria marca de roupa, mas os números não me serviam, não tinha experiência no campo da produção e para montá-la da forma que eu propunha era economicamente impossível. Depois de muitas voltas mudei o foco e fui para o ramo vintage… O nome Avelinas, como bem disseste, vem das minhas avós, Avelina e Lina. Com elas comecei a dar meus primeiros passos no mundo da moda. A minha avó Avelina fazia-me as modificações em roupas como palhinhas, que ainda não tinham chegado a Espanha. A minha avó foi a minha inspiração para começar a pensar em reutilizar as roupas e a partir daí começou a ideia da linha Avelinas Reworks.

EcN: Na sua apresentação da EcommFest você afirmou que «conseguiu vender roupas que outras pessoas poriam no lixo». Como é que fazes isto?

SP: O sistema é simples. É uma questão de oferta e procura. Tens que identificar em que parte do mundo um objeto não tem valor e onde ele tem valor. Por exemplo, acontece que, em Espanha, o vintage não é tão bem visto ou não tão tem tanto consumo como nos Estados Unidos. Além disso, o vintage em particular tem o valor acrescentado das roupas de há 20 ou 30 anos serem geralmente de melhor qualidade do que as produzidas atualmente. O valor acrescentado das Avelinas é o que nos diferencia da concorrência é que, além de ser uma venda, gostamos de dar às nossas peças o ADN das Avelinas, através das nossas linhas Rework e Remade.

EcN: Como foi a campanha da Sexta-Feira Negra?

SP: Muito melhor do que nos anos anteriores, excedemos em muito os nossos objetivos.

EcN: Que estratégia seguiram nesta campanha de Natal? Que objetivos foram definidos? Que estratégia seguirão em 2018? Que objetivos definiram?

SP: O nosso objetivo para este ano é reorganizar a empresa e consolidá-la no mercado como referência. Como mencionei no eCommfest, a Avelinas sentiu um crescimento extraordinário durante 2016 e 2017 e queremos ganhar força para este, que certamente será um grande ano. Para consolidar a marca, a nossa estratégia é baseada principalmente em dois pilares, um bom produto e uma boa comunicação. Fizemos um investimento muito grande em branding e marketing digital e em breve poderão as novidades. Conceitos como SEO, Influencers ou Social Media já ressoam nos corredores de Avelinas.

EcN: Avelinas Vintage é uma empresa que cresceu muito rapidamente. O que espera de 2017 em termos de números? (volume de negócios, vendas…)

SP: Avelinas começou na garagem da casa dos meus pais com dois funcionários que apenas conseguia pagar com o pouco que eu tinha poupado, visto que não haviam lucros para pagar. Aos 6 meses eramos uma das lojas do Top Ten do ASOS Marketplace, (secção de pequenas lojas vintage). Um ano depois, a revista Telva publicou um artigo sobre as melhores lojas vintage da Espanha, na qual incluiu Avelinas ao lado de lojas que podem fazer um tour de mais de 10 anos no sector. No segundo ano da empresa eu arrisquei muito, comprei volumes, aumentei pessoal e renegociei todos os contratos com fornecedores, já que tinham que acreditar em mim como eu tinha feito neles no primeiro ano. Este ano, as vendas da Avelinas aumentaram 200% em relação ao ano anterior. Atualmente contamos com uma equipa de mais de 20 profissionais, envolvidos e comprometidos com a nossa filosofia e valores. Também temos colaboradores e influenciadores externos que em breve se tornarão nossos Brand Ambassadors.

EcN: Um dos sonhos da maior parte do ecommerce que vende moda é ter a sua própria linha. Este é um objetivo de curto prazo para vocês?

SP: Já estamos a trabalhar neste objetivo e muito em breve poderão ver algumas coisas da «Avelinas» na loja online. Recebemos feedback de muitos clientes que adoram os nossos Reworks e procuram algo 100% Avelinas.

EcN: Em quantos países vendem? Têm em mente um processo de internacionalização?

SP: Nós vendemos em todo o mundo, através de diferentes marketplaces. Além disso, o nosso site está disponível em 19 países.

Sendo uma empresa 100% digital, o processo de internacionalização é mais simples do que nas lojas físicas, já que para vender em todo o mundo, dependemos apenas de fatores logísticos. É por isso que, embora a nossa sede seja em Tenerife, também temos armazéns na Península e em Londres, dois dos nossos principais mercados, para otimizar o nosso serviço de Delivery.

EcN: O senhor recomenda não começar em grande e crescer sempre sob controlo, e fiel a esta ideia a Avelinas Vintage tem colocado «o travão» no seu crescimento para organizar a empresa. Por quê?

SP: Eu sempre digo que há que ser sonhador nos negócios e estabelecer metas altas que possamos alcançar. O problema é que, por vezes, estabelecemos objetivos muito elevados, cumprimo-los, mas não com base em padrões adequados. Não serve de nada vender 1000 encomendas por dia se a tua empresa não está preparada para as servir. Não serás suficientemente rentável visto que precisarás de mais organização e de uma estrutura mais sólida. É por isso que, como comentava contigo antes, este ano decidimos reestruturar a empresa para consolidá-la a outro nível e poder cobrir mais mercado. Um dos meus pontos fortes como empresário acho que sempre foi identificar onde estou, ser realista, embora não haja nada de errado em sonhar (brinca).

EcN: O empreendedorismo nunca é um caminho fácil, qual foi a parte mais difícil desta aventura? E o que é que de melhor se tira?

SP: Do meu ponto de vista, o empreendedorismo em Espanha é a profissão mais mal remunerada. Os obstáculos administrativos e a burocracia fazem do empreendedorismo em Espanha um caminho espinhoso, embora, como sempre digo, com esforço, paixão e perseverança se possa conseguir o que se quer.

 

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