A SwiftCarbon é uma uma marca internacional de bicicletas em carbono, que nasceu de um amor e paixão genuínos pelo ciclismo. Esta marca junta o design à engenharia em torno daquilo que acreditam ser a forma mais eficaz de produzir bicicletas de fibra de carbono de alto desempenho. Na Ecommerce News Portugal tivemos a oportunidade de conversar com a Bárbara São Martinho, especialista no digital. Em 2002 Iniciou o seu percurso profissional no Grupo Salvador Caetano e em 2013 teve um contacto mais próximo com o ecommerce e foi lançada a faísca para uma paixão pela área que a levou a investir em formação e atualmente é a Ecommerce Manager da SwiftCarbon. Falou-nos sobre o estado do ecommerce em Portugal, antes e com o despoletar da crise sanitária, o impacto na SwfitCarbon assim como as ferramentas de marketing que usam, os seus números, entre muitos outros assuntos. 

Ecommerce News Portugal (EcN): Na sua opinião como evoluiu e tem evoluído o Ecommerce em Portugal?


Bárbara São Martinho (BSM): O Ecommerce em Portugal, felizmente, tem vindo a crescer significativamente ao longos dos últimos anos, mas continua muito aquém da média Europeia. Ainda há um longo caminho a percorrer e muito a aprender. Mas estamos já a fazer grandes progressos com a constante entrada de novos players no mercado, e este é um sinal extremamente significativo.

Com toda a certeza, o Ecommerce irá crescer e desempenhar um papel preponderante na economia nacional, uma vez que há ainda muito espaço para crescer em Portugal. Mas para que isto aconteça, é fundamental que as marcas entendam verdadeiramente a importância do mesmo e apostem em estratégias sempre focadas na experiência do utilizador. Clic para tuitear

Em 2019, o volume de vendas em Ecommerce em Portugal foi de 5 mil milhões de euros. Segundo a Eurocommerce, até 2021 o comércio eletrónico em Portugal deverá crescer 12% e em 2025 é expectável que 59% dos portugueses comprem online. Ora, face a estes dados só podemos estar confiantes de que o Ecommerce em Portugal assumirá um papel cada vez mais relevante a nível Europeu.

Ecommerce News Portugal (EcN): Fala-nos um pouco da SwiftCarbon. Qual é o conceito? Qual é o vosso público-alvo?

Bárbara São Martinho (BSM): A SwiftCarbon é uma marca premium de bicicletas de estrada em carbono, focada no mercado B2C e também B2B. O nosso público-alvo são todos os amantes das duas rodas, do ciclismo.

Ecommerce News Portugal (EcN): Quais os desafios do mercado português? Mentalidade? A demanda? 

Bárbara São Martinho (BSM): A SwiftCarbon foi fundada na África do Sul em 2007, por um ex-ciclista profissional, e internalizou-se a partir daí. Em 2017 a marca foi adquirida pelo Grupo Brasileiro Lagoa, com experiência de décadas no setor das duas rodas, detentor da marca de bicicletas Sense, líder no Brasil. O grande desafio do mercado português, e mesmo do Europeu, foi o pouco conhecimento da marca, pelo que tivemos de começar a trabalhar, basicamente do zero, a construção da mesma e a sua notoriedade. A par disso apostamos no Ecommerce como principal canal de vendas e estamos muito satisfeitos por termos tomado esta decisão, foi um grande desafio vender bicicletas de carbono online, cujo preço mínimo é de 1.499€. 

EcN: Têm produtos a serem produzidos no país?
BSM: Os quadros das nossas bicicletas são fabricados na Ásia, tal como acontece com todas as marcas de bicicletas em carbono, pois é aqui que está todo o know-how do carbono. O nosso R&D mantém-se, desde o lançamento da marca, na África do Sul, onde temos engenheiros totalmente focados no desenvolvimento de novos produtos. No entanto, é de referir, que todas as nossas bicicletas são pintadas e montadas na nossa fábrica em Portugal. 

EcN: Como funciona a logística? E os custos associados?
BSM: A maioria das encomendas são online, mesmo as B2B, que nos chegam através das nossas Partner Shops (Europa). Apenas as encomendas de Distribuidores RoW, ou seja, Rest of the World, não são feitas através da nossa loja online, por enquanto… Pois já estamos a preparar uma plataforma de Ecommerce específica para B2B! Assim que é recebida a encomenda, a bicicleta é pintada e montada com o grupo de componentes escolhido pelo cliente. Num prazo máximo de 5 dias úteis, a bicicleta é expedida e é enviado o respetivo tracking ao cliente.
Em termos de custos, variam muito de país para país. Uma coisa é enviar uma bicicleta para Portugal outra é enviar uma bicicleta para a Austrália, podendo chegar a um custo máximo de 800€. Oferecemos os portes na Europa, para o RoW, são suportados pelo cliente. As entregas são efetuadas diretamente na morada fornecida pelo cliente, pelas várias transportadoras com quem trabalhamos, dependendo do destino.

EcN: Que ferramentas de marketing usa para conseguir utilizadores? 
BSM:Usamos várias. A nossa Administração refere muitas vezes que somos uma empresa de Marketing. E somos, de facto. O nosso sucesso depende do Marketing, do bom Marketing. Atualmente estamos a patrocinar a equipa da W52-FC Porto, em Portugal, temos uma equipa própria a competir no UK, a SwiftCarbon Pro Cycling, e temos ainda equipas e atletas individuais no Brasil, África do Sul, Chile, Tailândia, Austrália e Coreia. A par disso temos um orçamento generoso para investimento em Redes Sociais (Facebook e Instagram), bem como em Google Ads e campanhas de E-mail Marketing. Marcamos também presença as principais feiras B2C mundiais do setor e em vários eventos, também a nível nacional e internacional.
As nossas Partner Shops são também elas geradoras de confiança e notoriedade para a marca, pois o nosso target gosta muito de ver a bicicleta física, de a testar e de a tocar e observar todos os detalhes. Aqui o cliente pode também testar as bicicletas antes da compra.

EcN: Na sua opinião qual deles funciona melhor?

BSM: Na verdade, todas estas estratégias se complementam e são fundamentais para a marca, mas salientaria, como a mais relevante,o patrocínio de equipas, pois é a que dá mais visibilidade de uma forma global, pois as equipas competem não só no seu país de origem, como participam em várias outras provas que se realizam um pouco por todo o mundo.

EcN: Números. Que percentagem de tráfego e compras chegam através do telemóvel e através do desktop?

BSM: Neste momento é muito similar. Temos 52% de tráfego via mobile, 44% via desktop e 4% chegam-nos através de tablet. É certo que, como na maioria dos negócios online, o cliente faz a sua pesquisa no mobile, mas depois prefere finalizar a compra em desktop. Nós não somos exceção.

EcN: E como fecharam o ano de 2019 em termos de volume de negócios?
BSM: Temos vindo a crescer exponencialmente, ano após ano. Temos grandes objetivos definidos para os próximos dois anos, e estamos convictos de que os vamos alcançar.

EcN: O carrinho abandonado é um problema para muitos ecommerce. Também acontece convosco?

BSM: Sim, é. Mas temos motivos para acreditar que os nossos carrinhos abandonados são fruto da curiosidade do cliente, que quer saber exatamente os custos de envio.Para reduzir a taxa de carrinhos abandonados, estamos já a implementar uma lista com custos de envio para cada país que ficará visível ao cliente antes do processo de checkout, na página do produto. Clic para tuitear Com esta medidas acreditamos que vamos reduzir drasticamente o número de carrinhos abandonados.

EcN: Quais os métodos de pagamento que têm disponível atualmente?
BSM: Atualmente temos como métodos de pagamento o Multibanco (Portugal), Transferência Bancária, Paypal e Visa/Mastercard. Sentimos que são os necessários. Temos ainda um método de pagamento específico para clientes da África do Sul, por ser o mais utilizado localmente, que é o PayGate.

EcN: Com a pandemia e o confinamento, como tem estado o mercado? Houve um decréscimo? Como se pode interpretar a situação, poderá ser uma oportunidade? 
BSM: Creio que a pandemia veio trazer novas oportunidades para as empresas que já tinham o seu Ecommerce e viram as suas vendas crescer significativamente ou, até mesmo em alguns casos, drasticamente. Para as empresas que não tinham ainda loja online, esta nova realidade trouxe a consciencialização de que necessitam de estar online o mais rapidamente possível e, muito provavelmente, o arrependimento por já não terem feito este investimento anteriormente. Por outro lado, e como há sempre o reverso da medalha, também trouxe problemas às marcas que não estavam preparadas para este boom de encomendas. Conheço algumas marcas, bem conhecidas a nível nacional, que deixaram de aceitar novos registos de utilizadores e passaram a enviar emails aos clientes a pedir desculpa, mas que, devido ao volume de encomendas, não estavam a aceitar novos registos. E depois temos ainda as marcas que mencionam entregas, por exemplo, entre 3 e 5 dias úteis e demoram semanas a fazer chegar a encomenda às mãos do cliente e outras ainda que enviam encomendas em duplicado. Aconteceu comigo! 

EcN: Que medidas podem ser implementadas para incentivar o uso de bicicletas como meio de deslocação?
BSM: No UK, por exemplo, há um programa que a SwiftCarbon apoia, que se chama Green Commute Initiative. O objetivo é promover o uso da bicicleta como meio de locomoção para a escola, para o trabalho. O Governo paga 47% do valor da bicicleta e esta ação é promovida pela entidade patronal. Este é um excelente exemplo que deveria ser replicado em todos os países.

Quando trabalhei na Câmara Municipal do Porto, acumulava os cargos de Deputy Site Coordinator, Dissemination Manager and Measures Leader no Projeto Europeu Civitas, que visava a promoção da mobilidade sustentável em vários países Europeus. A cidade do Porto fazia parte do Consórcio ELAN, juntamente com as cidades de Ghent (Bélgica), Ljubljiana (Eslovénia), Zagreb (Croácia) e Brno (República Checa). Tínhamos várias medidas comuns, e algumas específicas de cada cidade, para implementar em termos de mobilidade. Ora, era notório o atraso de Portugal em comparação com as outras cidades, era uma diferença incrível. A Europa, no geral, sempre se esforçou para promover uma mobilidade sustentável, mas creio que em Portugal a mentalidade só agora começa a mudar. Era na altura também responsável pela implementação de um sistema público de aluguer de bicicletas. Estas medidas, apesar de ter sido alvo de vários estudos, não foi possível concretizar na cidade do Porto devido à sua orografia, pois só funcionaria com bicicletas elétricas (o que requer muita manutenção). Então, as verbas foram canalizadas para a construção de ciclovias e de aparcamentos de bicicletas que ainda hoje funcionam em toda a cidade.
Resumindo, o incentivo para a utilização da bicicleta como meio de transporte, deve vir do Governo e das Autarquias. 

EcN: Quais os planos para o futuro da SwiftCarbon?
BSM: Internacionalizar para outros países onde a marca ainda não tem presença e ser líder dentro do setor das Bicicletas em Carbono. Esse é o nosso objetivo e para tal, vamos manter as estratégias de Marketing para o futuro.

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