Na semana passada Lisboa abriu portas por dois dias ao Portugal Digital Summit, um dos eventos de referência realizado anualmente pela ACEPI desde 2003. O evento foi marcado pelo conceito transformação digital e o impacto do mesmo nos negócios.

Durante a apresentação Retail no palco Industries Going Digital o painel, que inclui representantes da Sportzone, Makro, Sonae MC e do El Corte Inglés, apresentou os ecossistemas de ecommerce em que estão presentes e barreiras ao sucesso.

Com os valores das compras online B2C a atingirem em Portugal os 5.5 mil milhões de euros a pergunta põe-se. Qual o futuro de Portugal?  Este valor quando comparado com outros países tem muito pouca expressão. Isto significa que temos espaço para crescer? Qual o melhor modelo de negócio nesta situação? Para Jorge Simões, Head of Marketing & Ecommerce da Sportzone «o crescimento do ecommerce é inevitável não porque as empresas o decidiram, mas porque nós, pessoas, estamos a digitalizar o nosso comportamento e como consequência disso vamos ter hábitos diferentes”. Isto não significa que os espaços físicos irão acabar, «seremos sempre ser sociais e a loja física é uma questão de confiança» ressalta.

A solução híbrida permite ao cliente o melhor dos dois mundos, o conforto e comodidade do ecommerce e a confiança da loja física e vai exigir a adaptação à nova realidade e às necessidades do cliente,  “o movimento é do multicanal para omnicanal mas certamente que as lojas físicas terão a sua importância, terão que evoluir no sentido do showroom, do aconselhamento” diz Silvia Lopes, Head of Marketing Portugal da Makro.

No modelo de negócio híbrido “o grande desafio é, nos diferentes pontos de contacto, dar a mesma qualidade de serviço. Um cliente quer que a marca lhe dê uma boa experiência independentemente do canal em que é” salienta Jorge… Clic para tuitear

No ecommerce alimentar, área em que a Sonae MC dá cartas, existem desafios adicionais em relação a outros setores, quer seja em relação à tipologia de produto (frescos, produtos com caducidade curta), ou em relação à confiança que o cliente tem que ter na marca para permitir que outro escolha produtos que ele se habituou a escolher, como frutas e vegetais. Isto leva a ter que pensar além da logística e conservação do produto e exige que “nos foquemos no cliente, estar onde ele quer estar, o ecommcerce faz-se com pessoas e é aí que temos que estar, a satisfazer os nossos clientes” ressalva Pedro Santos, Head of Ecommerce and Mobile na Sonae MC. Aproveitar o ecommerce não só enquanto canal direto de vendas mas tamém como canal de fidelização do cliente visto que “constitui um ponto de contacto adicional para satisfazermos e estabelecermos relações com os nossos clientes” salienta Pedro Santos.

Pela boca de Manuel Paula, Marketing Director Portugal do El Corte Inglés veio à conversa outro tema. A importância da cultura da empresa. Muitas vezes a cultura empresarial é a maior barreira à digitalização de grandes nomes como o El Corte Inglés. Internamente a mentalidade e estrutura tem que ser repensada, “não é fácil para as mentes jovens entrar em empresas estabelecidas e colocar em questão o sucesso e histórico da empresa” diz. A transformação digital é obrigatória e é preciso estimular estas pessoas a fazerem este processo porque sem elas não é possível fazer esta transição. As empresas têm que olhar ao tipo de funcionário que têm agora e perceber que as suas ambições e necessidades são diferentes de há 30 anos atrás. “Hoje em dia poderá ser muito mais satisfatório para o funcionário a flexibilidade de horários do que receber um carro ao final de 3 anos de trabalhar na empresa” ressalta Manuel Paula. Há uma necessidade de adaptação ao cliente, às tecnologias exigidas por esta nova forma de negócio mas também àqueles que estão no backstage a permitir que as empresas façam, com sucesso, a sua transformação digital.

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