Mais uma vez Lisboa acolheu o maior evento de tecnologia, o Web Summit. Durante 4 dias reúnem-se pessoas e empresas nacionais e internacionais que estão a redefinir a indústria global de tecnologia. Edwina Dunn, CEO na Starcount explicou a evolução da forma como tratamos os dados (data) ao longo dos tempos, e como o paradigma atual torna imprescindível às marcas utilizarem esses dados conhecerem os seus clientes. Não é uma tarefa fácil, mas com a tecnologia de hoje em dia é possível conhecer mais a fundo o consumidor, não só enquanto comprador, mas enquanto pessoa, entrar na sua cabeça, saber o que realmente querem e dar-lhes.

Os dados têm sido utilizados de diferentes maneiras e com diferentes objetivos ao longo dos tempos.

  • Tu és o teu trabalho: Os dados serviam para classificar os clientes consoante o seu trabalho.
  • Tu és onde vives: Os dados serviam para segmentar as pessoas segundo a sua geografia, ou seja, local onde viviam.
  • Tu és o que compras: Analisavam-se padrões de compra
  • Tu és o que amas: Mais recentemente os dados servem para analisar as as paixões de cada um e criar padrões para conhecer o cliente.

A forma como olhamos os dados vem a par e passo com o desenvolvimento tecnológico e da sociedade. Cada vez existem mais canais para obter dados, cada vez existe mais sinalética para conhecer em pormenor o cliente e cada vez existe mais tecnologia capaz de obter dados. Mas os dados por si só não valem, “é preciso refiná-los para que seja valioso” explicou Edwina Dunn. No paradigma atual, somos mais do que a nossa profissão, o local em que vivemos ou o que compramos. Atualmente o fator-chave está em segmentar as pessoas segundo o que elas gostam, mais do as marcas que gostam, saber quais os seus propósitos e ideais, o que defendem e como atuam. As pessoas já não vão a uma loja só para comprar, vão a uma loja pela experiência que podem obter e por isso procuram as lojas que se identifiquem com os seus ideias e com que possam estabelecer uma relação, que em muitos casos cresce ao ponto do consumidor se tornar embaixador da marca.

Como conhecer o teu cliente?

Dados. “O mundo mudou. O mundo é menos Walmart e mais Amazon. E o que a Amazon tem de especial é uma quantidade enorme de dados” ressalta Edwina Dunn. Nesta nova era os dados são tudo e podemos obtê-los com facilidade. Aqui entram as redes sociais. O consumidor assinala o que gosta, no Facebook por exemplo com diferentes níveis de intensidade (gosto, adoro, riso, tristeza, ira), partilha as coisas em que está interessado e segundo os dados o que as pessoas partilham normalmente é o que compram e isto é extensível a diferentes sectores.

Para Edwina Dunn a Internet das Coisas tem nos fornecido sinais e dados importantes, mas deixou esquecida a Geografia das Coisas e só com a conjugação de ambas teremos informação suficiente para satisfazer de forma eficaz o cliente. Perguntas como, onde está o cliente está? onde quer comprar? como chegar até ele? o que compra varia conforme a sua localização? não podem ser esquecidas. “O desafio é coligar o online e o offline e a solução está em juntar a internet e a geografia das coisas” disse Edwina Dunn.

A ambição da oradora é utilização da Inteligência Artificial e Machine Learrning para perceber o que faz o cliente quando não estão a comprar, perceber o cliente enquanto pessoa.Com a tecnologia adequada a ideia é criar personas e descobrir como são, quais as suas preocupações para além da compra e isto é uma riqueza de informação que pode ser utlizada pelas marcas” diz a Edwina Dunn. A palestrante termina com um aviso, todo este processo pode trazer confrontos entre inovação e ética e alerta para a necessidade de criação de regulamentação, “só porque podes fazê-lo não significa que o devas fazer. O sucesso ou falhanço estão em ultrapassar este desafio” diz.

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