Empresas a entrarem na Dott duplicaram em março e abril

O presidente executivo da plataforma de comércio eletrónico Dott, considera que “a pandemia acelerou bastante” o digital em Portugal, sendo que o número de empresas a entrarem no marketplace duplicou, em março e abril.

Em entrevista à Lusa e no primeiro aniversário de atividade da Dott, Gaspar D’Orey salienta que “em termos de número de empresas, em março e abril tivemos o dobro das empresas a entrarem” no marketplace, em comparação com o período anterior à pandemia. Acrescenta, ainda, que “em termos de registos [de empresas] quintuplicou, mas fazemos filtro, nem todas as empresas conseguem vender” e que as inscrições incluíram, inclusive, empresas de restauração.

O presidente executivo adiantou que “a primeira semana de abril” correspondeu ao pico de encomendas online, explicando que resultou no “dobro do mês anterior” e “foi onde tivemos o máximo, batemos os recordes todos, atingimos o nosso novo patamar“.

Embora não divulgue dados sobre vendas, dado que a Dott é detida por duas empresas cotadas, Gaspar D’Orey afirma que “estamos quase a duplicar as vendas desde o início do ano, o que é ótimo, tem sido exponencial. Maio vai pelo mesmo caminho“.

Relativamente às categorias de produtos mais encomendados pelos portugueses durante a pandemia, Gaspar D’Orey apontou, como curiosidade, que a casa e jardim integra os quatro primeiros lugares na Dott sendo que “aumentou as vendas quatro vezes”.

Face a um período pré-pandemia em que as primeiras categorias eram saúde e beleza, moda e calçado, casa e jardim, com eletrónica próxima, o período de pandemia registou o primeiro lugar na mesma para saúde e beleza, seguida “da categoria dos supermercados, vinhos e bebidas; casa e jardim, e eletrodomésticos, diz o presidente executivo.

A área de brinquedos também registou muitas encomendas, com Gaspar D’Orey a expor que “na primeira semana esgotámos os puzzles“.

Em dois milhões e meio de produtos”, que demonstram uma “diversidade” ao ponto de incluir “ovos de plástico para galinhas, em várias dimensões“, houve artigos com bastante procura, como os apontados “à ginástica”, diz o presidente executivo. Acrescenta que “aliás, esgotámos” muitos desses artigos de desporto.

A categoria de supermercado, onde as encomendas multiplicaram “por 50 vezes”, passou para segundo lugar nas opções de compra, durante o estado de emergência.

A venda de queijo da serra também recebeu destaque. O presidente executivo salientou que “estamos a trazer vendedores que tipicamente só vendiam nas feiras tradicionais. Do nada estamos a passá-los para o digital“. Acrescenta que “já vendemos milhares de queijos“, sublinhando que “há produtores de queijos que vendem todos os dias, às dezenas“.

Depois da feira do queijo DOP, a Dott vai continuar a aposta na “portugalidade” com a venda de cerejas do Fundão e mais duas feiras: de Viseu, Dão e Lafões e do Fundão. “É este tipo de portugalidade que estamos a trazer para o digital, a pandemia veio aguçar essa necessidade e o nosso papel é ajudar” os produtores a “mitigue o impacto” da pandemia, salienta Gaspar D’Orey.

A Dott fez, ainda, parcerias com várias associações, no sentido de ajudar a economia, das quais se destacam a ANJE, AIP, Portugal Sou Eu, e câmaras municipais, que incluem a de Lisboa e a do Porto, dando “condições especiais às empresas dessas associações para virem para o online”. O presidente executivo acrescenta que “fizemos também uma parceria com a Sonae Sierra para trazer o shopping para o online, para os lojistas terem mais um canal de venda“, dado o encerramento das lojas dos centros comerciais no âmbito das medidas de combate à propagação do novo coronavírus.

Gaspar D’Orey salienta que “não há recuo” quando questionado sobre se o comércio eletrónico veio para ficar, sublinhando que “acho que a pandemia demonstrou o potencial do digital”.

Embora o crescimento, o período de pandemia afeta todas as áreas do negócio, e esta não escapou: “muitos dos nossos vendedores tiveram de se adaptar à pandemia, ou seja, ou reduziram a equipa ou reduziram o tempo de abertura de armazéns“, aponta o presidente executivo, explicando que “portanto, isso depois reflete-se a jusante, pois somos um ‘shopping’, não temos armazéns. Se a epidemia afeta os nossos vendedores, afeta-nos também“.

Gaspar D’Orey acrescenta ainda que a Dott teve de “duplicar a equipa de apoio ao cliente“.

Embora acredite que o retalho físico vai continuar a desempenhar um papel importante no consumo, o presidente executivo afirma que, nos produtos que não sejam essenciais e com melhores preços do que nas lojas físicas, “acho que o ‘online’ vai-se impor“.

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